Bárbara Dias: corrida, corpo real e superação da SOP
A corredora e empresária mineira compartilha como os 21 km transformaram sua saúde e fortaleceram sua autoconfiança.
Em conversa inspiradora no Girls Who Run, Bárbara Dias relembra o início na corrida e a quebra de estereótipos sobre corpos no esporte. Ela também detalha o controle da síndrome do ovário policístico através dos treinos e sua transição de carreira.
A ideia de que existe um tipo de corpo específico para a prática da corrida afasta muitas pessoas do esporte antes mesmo do primeiro treino. Natural de Mariana (MG), a corredora e comunicadora Bárbara Dias transformou a própria trajetória ao rejeitar padrões estéticos e buscar seu espaço nas provas de rua pelo bem-estar e pela saúde.
Bárbara começou a correr de forma contínua em 2023, incentivada pela melhor amiga após a maternidade. Embora tenha tido um primeiro contato frustrado com trilhas anos antes, a nova tentativa no asfalto abriu caminho para uma dedicação progressiva. A primeira grande meta foi a meia maratona, com um ciclo estruturado de 10 meses de preparação até cruzar a linha de chegada na Meia Maratona de Atenas, em São Paulo.
Desafios na meia maratona e o circuito latino-americano
Após a estreia nos 21 km, a distância se consolidou como a favorita de Bárbara. Em 2025, além de integrar o time de influenciadores da Maratona do Rio — onde completou as provas de 5 km, 10 km e 21 km no mesmo fim de semana —, ela iniciou o projeto de completar o circuito Mega Finisher na América Latina.
Depois de correr a Meia Maratona de Buenos Aires em percurso plano e sob clima frio, a meta seguinte da atleta amadora é a Meia de Montevidéu, que reúne corredores em maio no Uruguai. O circuito inclui ainda etapas em Brasília (Monumental), Assunção e Lima.
Diagnóstico de SOP e a virada na saúde metabólica
Por trás do desenvolvimento no esporte, a corrida desempenhou um papel central no tratamento de uma condição crônica: a Síndrome do Ovário Policístico (SOP). Diagnosticada no início de 2020, Bárbara apresentava o quadro completo da síndrome, marcado por amenorreia (oito meses sem menstruar), taxas de testosterona em 800 ng/dL e severa resistência insulínica, que a colocou em estado pré-diabético.
Mesmo com o uso de metformina e ajustes alimentares, as taxas demoravam a estabilizar. A mudança decisiva veio com a consistência dos treinos de corrida. Com a prática regular e as adaptações na rotina — como redução do consumo de álcool e alimentação balanceada —, a síndrome entrou em remissão clínica há dois anos, normalizando os ciclos menstruais e os marcadores hormonais e glicêmicos.
Empreendedorismo e quebra da síndrome da impostora
A coragem desenvolvida nos treinos longos também impulsionou mudanças fora do asfalto. Formada em Bioquímica e Química, com mestrado em Educação, Bárbara atuava como professora quando começou a prestar serviços digitais e criar conteúdo nas redes. O receio de não ter formação na área de marketing gerou crises de síndrome da impostora no início da agência b.comunica.
Com a disciplina adquirida nos treinos e a busca contínua por qualificação formal — concluindo um MBA em Marketing, Branding e Growth —, ela consolidou sua transição definitiva para o empreendedorismo digital em 2024, após pedir demissão das salas de aula.
Corrida além do ritmo e das redes sociais
Para Bárbara, o foco nas provas nunca esteve na busca por velocidade extrema ou emagrecimento estético, mas no prazer do percurso e na autonomia do próprio corpo. Ela defende que iniciantes não devem se paralisar por comparações com influenciadores que mostram ritmos inalcançáveis para quem tem uma rotina de trabalho tradicional.
Ao manter um volume semanal médio entre 30 km e 42 km em picos de ciclo, a corredora ressalta que ocupar as ruas é um direito de todos os corpos e ritmos, reforçando que o esporte deve servir como ferramenta de liberdade e saúde mental.