Ansiedade Pré-Prova: Estratégias para Atletas de Alta Performance
Neuropsicóloga e atleta Virgínia Planet, ao lado de Bruna Mahn, desvenda como transformar a ansiedade em aliada na busca por resultados no esporte.
Neste episódio do Stemma Performance, Bruna Mahn conversa com a neuropsicóloga e atleta Virgínia Planet sobre a ansiedade pré-prova. Elas exploram como esse sentimento, comum no esporte, pode ser gerenciado e até utilizado como um propulsor de performance. Descubra estratégias práticas para enfrentar competições com mais equilíbrio e autoconhecimento.
No calor do Ironman 70.3 Brasília, o Stemma Performance, apresentado por Bruna Mahn, recebeu a neuropsicóloga e atleta Virgínia Planet para um bate-papo revelador sobre um tema que assombra muitos atletas: a ansiedade pré-prova. Virgínia, que estava prestes a competir, compartilhou insights valiosos sobre como lidar com esse sentimento e transformá-lo em um motor para a alta performance.
A Ansiedade como Aliada: Desvendando o Sinal do Corpo
Virgínia Planet explica que a ansiedade é um sinal que o corpo emite, indicando que algo importante está prestes a acontecer. Ela não é inerentemente boa ou ruim; sua natureza depende do que fazemos com a informação que ela nos traz. Para Virgínia, a ansiedade oscila: é maior durante a preparação da viagem, diminui ao chegar no local, e sobe novamente no village da prova, ao entregar a bike, por exemplo. É um sentimento natural quando há algo de significado em jogo.
Segundo a neuropsicóloga, nenhum sentimento é ruim. A ansiedade está ligada ao futuro e ao que não temos controle (o famoso "e se..."), mas também revela que aquilo é importante para nós. Se não houvesse ansiedade, talvez o evento não tivesse o peso e a importância que possui. O grande desafio é aprender a gerenciar e conviver com ela, em vez de tentar eliminá-la.
Gerenciando a Mente e o Corpo na Competição
A experiência é uma grande aliada na gestão da ansiedade. Atletas experientes já sabem como reagir a imprevistos, como um pneu furado ou um pânico na natação. Para o cérebro, é como dar um "check" nas situações, construindo confiança. Mas para quem não tem tanta experiência, o caminho é a autoconsciência.
O corpo constantemente nos dá informações, e a respiração é um termômetro essencial. Em momentos de ansiedade, a respiração tende a ser ofegante e curta. Virgínia Planet sugere que um simples ato de respirar profundamente duas vezes já pode mudar a química cerebral, trazendo oxigênio e tranquilidade. A técnica da respiração 4x6 (puxar o ar por 4 segundos e soltar por 6) aciona o sistema parassimpático, diminuindo os batimentos cardíacos e ajudando a retomar o controle. É crucial parar, observar o corpo e fazer os ajustes necessários.
Outro ponto crítico é a comparação. Muitos atletas, especialmente em eventos como o Ironman, se comparam com outros, seja no bike check-in ou nas redes sociais. Essa comparação externa desvia o foco do autocuidado e do autoconhecimento, podendo levar à "síndrome do impostor" e a um bloqueio emocional que explode apenas na hora da largada, quando não há mais como fugir do desafio. É vital direcionar o olhar para dentro, em vez de para os outros.
A Jornada do Atleta: Evolução e Autoconhecimento
Para a neuropsicóloga, evitar pular etapas no triatlo é fundamental. Começar por distâncias menores como o Sprint, depois Olímpico, 70.3 e, por fim, o Ironman, permite uma evolução gradual e a construção de um repertório de experiências. Essa progressão não apenas reduz o risco de lesões e overtraining, mas também garante que o atleta celebre cada conquista e aprenda a lidar com as particularidades de cada prova. Quem vai direto para o Ironman pode se frustrar por não ter o tempo de construir essa base emocional e física, perdendo a "magia" da jornada.
O esporte, de maneira geral, é a melhor ferramenta de autoconhecimento. Ele nos ensina sobre nossos limites, reações e como funcionamos sob pressão. Virgínia Planet compartilha que, para ela, o esporte é um espelho que reflete como ela lida com a dor e os desafios. Ser "amoroso" consigo mesmo, reconhecer os próprios esforços e celebrar as pequenas vitórias são atitudes essenciais. A mentalidade de que "eu sou capaz" é construída passo a passo, em cada treino e cada prova.
Estratégias Práticas para Superar o Pânico na Prova
Quando o pânico surge no meio da prova, especialmente na natação — onde há maior índice de desistência — a respiração volta a ser o grande salvador. Em momentos de descontrole, o cérebro perde o racional e o primitivo assume. Respirar profundamente ajuda a trazer o racional de volta, permitindo que você organize seus pensamentos e avalie a situação. Contar durante a respiração, por exemplo, pode ajudar a focar e a se reorganizar internamente.
É importante lembrar que não se trata de não saber nadar, mas de não conseguir lidar com a enxurrada de emoções. Se sentir pânico na água, vá para o canto, respire, use boias de segurança e peça ajuda se necessário. A diferença entre o pânico na água (onde não há chão) e na bike (onde há chão, mesmo em alta velocidade) é significativa. Para casos de ansiedade crônica ou bloqueios emocionais profundos, a busca por acompanhamento psicológico profissional é altamente recomendada. O que discutimos aqui é um ponto de partida, mas um psicólogo pode oferecer ferramentas personalizadas e um suporte mais aprofundado.
O esporte não é apenas uma atividade física; é uma jornada de autodescoberta e superação. Ao abraçar a ansiedade, ser gentil consigo mesmo e buscar autoconhecimento, você não apenas melhora sua performance atlética, mas também desenvolve ferramentas valiosas para lidar com os desafios da vida, do trabalho aos relacionamentos. Afinal, como ressalta Virgínia, se você não se gosta e não se cuida, quem o fará? Curta o processo e celebre cada passo da sua jornada.