A rotina intensa e a conexão de Fabiana Ferreira no trail
Entre finais de semana lotados e madrugadas no microfone, a locutora conta como equilibra o cansaço e o carinho dos atletas.
Com quase todos os finais de semana do ano tomados por eventos de corrida em trilha, Fabiana Ferreira vive uma rotina exigente. Em conversa no Stemma Na Trilha, a locutora compartilha os desafios da agenda cheia e a forte relação de afeto criada com os corredores em cada linha de chegada.
Trabalhar com locução nos principais eventos de corrida de montanha e trail running do Brasil exige uma dedicação que consome praticamente todos os dias do calendário. Para Fabiana Ferreira, ter um único final de semana de descanso por mês já é uma raridade. Quando o evento ocupa apenas a sexta-feira ou o sábado, a dinâmica de trabalho já impede folgas prolongadas ou viagens de lazer com a família.
Para conseguir equilibrar o desgaste físico com momentos de descanso, a estratégia de Fabiana é chegar com antecedência às cidades que sediam as provas, como Paraty e Ilhabela. Chegar um dia antes permite caminhar na praia, jantar em um bom restaurante e tomar uma cerveja com amigos antes de encarar as longas jornadas de trabalho na arena, que muitas vezes ultrapassam trinta horas seguidas de cobertura.
A desconexão e o encontro com os atletas na estrada
A energia das provas costuma se estender para além da premiação. Mesmo após eventos extenuantes como a La Misión Brasil, onde a equipe emenda turnos durante a madrugada inteira com intervalos de apenas duas horas para banho e descanso, a conexão com a comunidade do esporte permanece intensa. Após cruzar a linha de chegada ou encerrar o cerimonial, é comum encontrar atletas comemorando e pedindo fotos.
Esse contato direto continua até na viagem de volta. Em provas de grande porte como o circuito UTMB, o retorno para casa costuma ser pontuado por paradas na estrada onde novos encontros com atletas acontecem. O que seria uma viagem de poucas horas ganha tempo extra em mesas de café de postos de combustível, estendendo as conversas sobre os desafios vividos na trilha.
A marca da voz e a expectativa nas linhas de chegada
Com a presença frequente em provas que vão da Bahia a Santa Catarina, passando por cenários como a Chapada Diamantina e a Chapada dos Veadeiros, a voz de Fabiana tornou-se uma referência marcante para atletas de todo o país. Essa proximidade gera situações em que corredores fazem questão de que a locutora esteja presente no momento exato em que cruzam o pórtico final, mesmo quando ela tenta fazer uma breve pausa para almoço.
Essa demanda afetuosa se tornou motivo de brincadeiras bem-humoradas entre a equipe do Stemma Na Trilha e a organização das provas, sugerindo desde uma placa de status na arena até a inclusão de um cronograma oficial de sonecas no guia do atleta para conciliar o descanso da locutora com a celebração de quem completa a prova.