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"O pulsar do coração é parecido com a nossa vida", diz José Eduardo Ferreira

Em entrevista ao MTP, o executivo detalha a transição da infraestrutura para a experiência do cliente e os pilares de sua liderança.

José Eduardo Ferreira compartilha lições de sua carreira por IBM, Oracle, ServiceNow e Twilio. O executivo discute formação corporativa, liderança centrada em pessoas e os desafios entre vendas de produtos e modelos em nuvem.

José Eduardo Ferreira, VP regional de vendas da Twilio para a América Latina, falou, em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, sobre sua trajetória corporativa e as mudanças de mentalidade ao longo de passagens por empresas como IBM, Oracle e ServiceNow. Ao refletir sobre a própria carreira de 45 anos de idade, Ferreira abordou desde o início como estagiário até as decisões pessoais que guiaram suas mudanças de cargo e foco de atuação.

No vídeo acima, o executivo detalha os bastidores de sua formação profissional e a dinâmica de gestão de equipes em diferentes momentos do mercado de tecnologia.

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Da base na IBM à dinâmica na Oracle

O ingresso no ambiente corporativo ocorreu na IBM, onde Ferreira permaneceu por quase 11 para 12 anos. Ele começou como estagiário e contou com o auxílio da empresa para custear a faculdade em um período financeiramente desafiador. Para o executivo, essa vivência serviu como base para a consolidação de sua carreira e de seus valores.

Após o período na IBM, Ferreira decidiu aceitar uma proposta na Oracle em busca de novos desafios. "Eu brinco aqui com o meu time que né, o pulsar do coração é muito parecido com a nossa vida, cara, a gente tem que procurar atividade, tem que procurar movimento, independente qual a sua profissão, independente qual que é sua seu propósito de vida", afirmou.

"O pulsar do coração é parecido com a nossa vida", diz José Eduardo Ferreira

A transição levou Ferreira a uma empresa com ritmo diferente e a cargos de atuação regional. "Então, movimentei para a Oracle, a Oracle é uma empresa diferente da da IBM no contexto de dinamismo, no contexto de intensidade, então, isso também me forjou", explicou. Durante quatro anos, ele cobriu a América Latina, período que coincidiu com o nascimento de seus filhos entre 2014 e 2016. A rotina intensa de viagens internacionais exigiu uma revisão de prioridades familiares, levando Ferreira a deixar a atuação regional por volta de 2016 e 2017 para se concentrar no mercado brasileiro.

A virada cultural da nuvem e foco no cliente

Na Oracle, onde permaneceu por 10 anos, Ferreira acompanhou o movimento do mercado em direção a aplicações e infraestrutura em nuvem a partir de 2016 e 2017. Para ele, essa transição representou não apenas uma mudança técnica, mas uma alteração profunda no modelo de vendas e no relacionamento com os clientes.

Segundo Ferreira, migrar da venda tradicional para o modelo de consumo exigiu um aculturamento das equipes: "é diferente você vender serviço do que vender produto. Vender um carro físico e vender um carro por aluguel. Eh, então, teve uma um uma culturamento das pessoas, teve uma mudança de mindset, mas tudo em prol a gente vive para os clientes". O executivo pontuou que, no modelo de serviços e nuvem, a retenção depende diretamente da eficiência prática da solução para o negócio do comprador.

Do back-end para o front-end do consumidor

Após ocupar duas posições de vice-presidência na Oracle, Ferreira optou por uma mudança de rumo. O executivo, cuja trajetória estava ligada a infraestrutura, bancos de dados, middleware e servidores, decidiu aceitar uma diretoria na ServiceNow para atuar mais próximo das aplicações de negócio dos clientes.

Ferreira fez uma analogia sobre a decisão de trocar o foco de infraestrutura pelo de interfaces de relacionamento: "Infraestrutura e fio, né, elétrico é super importante para uma casa, mas no final do dia você não compra pela infraestrutura, né, do esgoto ali, como é que você fez a toda a parte elétrica, você compra pelo sofá, pelo pela essa madeira que você coloca bonitinho, então, eu brinco, né, a gente saiu da saiu do da parte de de back door para para decoração". Durante os dois anos na empresa, ele liderou uma equipe cujos profissionais posteriormente assumiram posições em companhias como Databricks, MongoDB e Salesforce.

A etapa seguinte foi a chegada à Twilio, retornando à liderança regional da América Latina. Embora a companhia opere de forma remota, Ferreira enfatiza a necessidade de contato físico, comparecendo ao escritório de São Paulo e visitando frequentemente equipes em países como Colômbia e México. Ele se autodefine como "gentófilo" pela preferência de interagir presencialmente com pessoas e consumidores finais.

Educação corporativa e liderança humanizada

A conversa também abordou a relevância dos programas estruturados de capacitação dentro das grandes organizações. Ferreira citou o treinamento HPS (High Performance Selling), da IBM, administrado pelos profissionais mais experientes da empresa, que incluía dinâmicas de simulação prática (role play).

Essas simulações envolviam desde o início de uma conversa de vendas e apresentações para diferentes níveis hierárquicos até a condução de situações delicadas de assédio e conduta. Para Ferreira, a experiência reforçou a importância do cumprimento de normas éticas e de um tratamento interpessoal empático. "Você sempre tem que olhar que tem um ser humano do outro lado, com desafio, com problema, com cara, dor de cabeça, dor de dente, problema em casa, né? E todo mundo tem. Tá tudo certo", declarou o executivo, que também atua como embaixador da ONG São Paulo Invisível.

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