Estudiantes mente e provoca o Flamengo no caso Rojo
Declarações de Juan Sebastián Verón ignoram que decisão liminar do TAS não impede punições desportivas na Libertadores.
O presidente do Estudiantes afirmou que o clube argentino tem garantias do TAS para disputar a final da Libertadores. No entanto, o próprio texto do tribunal mantém em aberto punições disciplinares pelo uso de Marcos Rojo contra o Flamengo.
O Estudiantes mente e tenta provocar o Flamengo nos bastidores da Copa Libertadores da América. Juan Sebastián Verón, presidente do clube argentino, concedeu entrevista à rádio La Red nesta terça-feira e sustentou que não há risco de eliminação, afirmando ter garantias do TAS de que a equipe estará na grande decisão. Para Bernardo Ramos, a fala não condiz com a realidade jurídica do caso, já que o julgamento de mérito está previsto para o dia 12 de novembro, mais de duas semanas antes da final do torneio.
A liminar prévia obtida pelos argentinos para utilizar o zagueiro Marcos Rojo contra o Flamengo trazia uma ressalva direta, revelada em primeira mão pelo jornalista Mauro César: o documento destaca explicitamente que a medida provisória não afasta futuras consequências esportivas e disciplinares para o Estudiantes. Apesar disso, dirigentes da equipe argentina adotaram um tom de deboche, como o diretor financeiro do clube, que declarou publicamente que os rubro-negros deveriam assistir à final pela televisão e tentar novamente no próximo ano.
Os riscos do Estudiantes e a postura do Flamengo
Na avaliação de Bernardo, a diretoria do Estudiantes assumiu um risco desnecessário ao colocar Marcos Rojo em campo. O atleta, com passagens por Manchester United, Boca Juniors, Racing e pela seleção da Argentina na Copa do Mundo de 2014, entrou sob contestação formal feita pelo Flamengo antes mesmo do início da partida. No item três de sua manifestação, o clube carioca ressalta que o próprio tribunal internacional não deu garantias de imunidade esportiva.
Existe um histórico pesado de influência política nos bastidores do futebol sul-americano. A Associação de Futebol Argentina, chefiada atualmente por Chiqui Tapia e historicamente marcada pela gestão de Julio Grondona — período em que o Independiente conquistou sete títulos de Libertadores entre 1964 e 1984 —, sempre teve atuação firme junto à Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). A entidade continental inclusive já chegou a divulgar materiais promocionais dos uniformes da final entre Palmeiras e Estudiantes, mas o caso segue sub judice.
No ambiente do Flamengo, a confiança em uma reversão é plena. O próprio técnico Leonardo Jardim abordou o tema após a vitória por 3 a 2 sobre o Atlético Mineiro, indicando otimismo respaldado pelo departamento jurídico rubro-negro. Para Bernardo, ainda que a disputa em tribunais desportivos não seja o cenário ideal do futebol, o clube brasileiro está correto em defender seus direitos e buscar a vaga na decisão continental.
No vídeo acima, Bernardo Ramos analisa os detalhes jurídicos do caso Marcos Rojo, as declarações da diretoria do Estudiantes e o cenário do julgamento no TAS.