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Ultra Maratona Aquática: Desafios, Preparação e Superação Mental

Mergulhe fundo nos segredos e bastidores das ultramaratonas aquáticas, onde a mente é o maior músculo.

Nadar horas a fio em águas abertas exige mais que força física. Neste episódio do Natação Stemma, os treinadores Samir Barel e Wanderley Santos revelam os bastidores das ultramaratonas aquáticas. Descubra a preparação, os desafios mentais e as estratégias para conquistar distâncias extremas.

No podcast Natação Stemma, os experientes treinadores Samir Barel e Wanderley Santos mergulham no universo da ultra maratona aquática, um tema que vai muito além da resistência física. Atendendo a sugestões da audiência, eles desvendam os bastidores, desafios e a preparação necessária para enfrentar provas que testam os limites do corpo e, principalmente, da mente.

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O Que Define uma Ultra e a Importância do Mental

A ultra maratona aquática é uma modalidade que tem conquistado cada vez mais adeptos. Embora a regra geralmente defina uma ultra como nados acima de 15 km, Samir Barel sugere que, fisiologicamente, qualquer atividade acima de duas horas e meia a três horas já pode ser considerada uma ultra, devido à demanda extra que o corpo e a mente exigem.

O principal desafio dessa modalidade não reside apenas no físico, que é altamente treinável, mas na força mental. É um embate de "você com você mesmo" por horas a fio. Wanderley Santos destaca que os treinos longos de fim de semana, por exemplo, servem não só para o corpo, mas para exercitar a mente, preparando o atleta para a solidão e o cansaço que virão na prova. Para Samir, antes mesmo de pensar em preparo físico e mental, a paixão por nadar é fundamental: "Você gosta de nadar? Você gosta de estar naquele ambiente? Porque você ali vai estar sozinho, com você mesmo, pensando na dor, no cansaço, pensando por que que você tá lá".

Ultra Maratona Aquática: Desafios, Preparação e Superação Mental

Roteiro de Provas e Desafios de Ultra no Brasil e no Mundo

Para quem busca desbravar as ultramaratonas aquáticas, há uma vasta gama de opções, desde competições até desafios solo. No Brasil, destacam-se:

  • Circuito 14 Bis: Inclui provas como a Ultra do Rio Itapanhaú (15 km), Mega (21 km) e a tradicional Travessia 14 Bis (24 km, de Bertioga a Santos), com limite de 10 horas.
  • Desafios Solo: Com apoio de barco, oferece percursos variados em locais como LDU (Ubatuba, até 35 km), BISA (Ilha Grande, até 76 km na volta completa), LPA (Leme ao Pontal, até 72 km ida e volta), Manaus (Rio Negro, até 30 km), Ilha do Mel (até 23 km), Ultra dos Canyons (Capitólio, até 25 km), entre outros.
  • Eventos Multidias: Como o LDU Tridés (Ubatuba), que soma até 21 km em quatro nados ao longo de 48 horas.

Internacionalmente, Samir Barel menciona o Ultra Swim 33.3 na Croácia, um evento de quatro dias que simula a distância do Canal da Mancha, servindo como preparação para travessias ainda maiores.

O Papel Essencial do Apoio no Barco

O apoio no barco é um fator crucial para o sucesso em provas de ultra. Mais do que apenas logística, o acompanhante precisa ser uma extensão do atleta. Os principais pontos são:

  • Conhecimento do Atleta: O apoio deve conhecer profundamente o nadador, tanto fisicamente quanto mentalmente, sabendo se ele prefere motivação constante ou momentos de tranquilidade.
  • Primeiros Socorros: Conhecimento básico de primeiros socorros é vital, dada a imprevisibilidade do ambiente aquático e o tempo que um socorro profissional pode levar para chegar.
  • Confiança e Seriedade: O apoio deve ser uma pessoa de confiança, que leve a sério o desafio, pois um acompanhante descompromissado pode comprometer a prova inteira. O próprio Samir revelou que no início sentia enjoo no barco, mas hoje usa um "coquetel" de Dramin B6 para evitar o problema, ressaltando a importância de se preparar para o apoio também.
  • Nutrição e Hidratação: O apoio é responsável por executar o plano de nutrição e hidratação do atleta, geralmente elaborado por um nutricionista. A alimentação pode variar drasticamente entre os atletas, de géis e isotônicos a bisnaguinhas, pêssegos em calda e até pão com carne, como citado por Samir. Manter o apoio bem nutrido e hidratado também é importante, e produtos como os da Mania de Castanha são ideais pela praticidade e saudabilidade.

Neoprene ou Traje: Qual a Melhor Escolha?

A escolha entre roupa de neoprene (borracha) e traje de natação é frequente entre os nadadores. A decisão depende de múltiplos fatores:

  • Regulamento da Prova: É o primeiro critério; algumas provas permitem o uso, outras não.
  • Eficiência e Flutuabilidade: O neoprene oferece maior flutuabilidade e pode aumentar a eficiência do nado, especialmente em águas mais frias ou para atletas que precisam de um auxílio na posição do corpo. Contudo, é preciso aprender a nadar com ele para tirar o máximo proveito.
  • Conforto e Liberdade: Um traje pode oferecer mais liberdade de movimento e conforto para alguns, enquanto um neoprene mal ajustado pode gerar desconforto, assaduras ou travar a braçada. A qualidade da roupa é crucial, e Samir Barel recomenda testar antes, mencionando a Blue Seventy Helix como um exemplo de neoprene de alta performance.

Enfrentando os Adversários: As Experiências de Samir Barel

Samir Barel, um dos poucos brasileiros a conquistar a Tríplice Coroa da Maratona Aquática (Canal da Mancha, Canal da Catalina e Volta à Ilha de Manhattan), compartilha suas experiências sobre os verdadeiros adversários nessas travessias:

  • Canal da Mancha: O frio (15,5°C) foi seu maior desafio, desencadeando hipotermia, espasmos e cãibras. A luta foi mental, alimentada pelo alto custo e pelo apoio de 315 pessoas que contribuíram em seu crowdfunding.
  • Volta à Ilha de Manhattan: A competição com outros atletas e o frio inesperado (17°C) foram os destaques, mostrando como o ego pode ser um fator.
  • Canal da Catalina: Um nado noturno no Oceano Pacífico, com plâncton luminescente, trouxe um encontro assustador com um tubarão branco iluminado. O medo foi imenso, mas a responsabilidade com o crowdfunding o impulsionou a continuar, demonstrando a força do apoio e da determinação.

Não há um único "maior adversário", mas sim uma complexa interação de frio, fome, cansaço, condições climáticas, competição e, acima de tudo, a mente. É essencial estar preparado para o pior cenário, pois "nunca vá para uma prova pensando no melhor. Vai sempre pensando no pior". Essa mentalidade constrói a "casca" necessária para o sucesso nas águas abertas.

Mesmo com a vasta experiência, Wanderley Santos revela seu desejo de enfrentar o Leme ao Pontal e, futuramente, o Canal da Mancha, mas reconhece a necessidade de um planejamento e dedicação de treino que ainda busca conciliar com seus compromissos. Já Samir, hoje, encontra sua maior satisfação em treinar e ver seus atletas conquistarem seus objetivos, mantendo-se aberto a novos desafios se encaixarem em seu planejamento.

Este episódio do Natação Stemma reforça que a ultra maratona aquática é uma jornada de autoconhecimento e superação, onde cada braçada é um testemunho da resiliência humana. Se você se identificou com esses desafios, lembre-se: a preparação e a paixão são a chave para desbravar as águas mais extremas. Compartilhe suas experiências e dúvidas, e continue acompanhando o Stemma Sports para mais inspiração!.

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