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Prevenção e tratamento de lesões com o Dr. Wander Ama

Ortopedista e triatleta explica as principais queixas na corrida, a volta aos treinos e o sono como pilar do recovery.

No Café com Tri, o médico e triatleta Dr. Wander Ama aborda os problemas ortopédicos mais frequentes entre corredores e triatletas. Ele explica as causas de síndromes por sobrecarga, a importância do fortalecimento e o papel do cross training na recuperação.

No endurance, conviver com o limite físico faz parte da rotina de treinos, mas ignorar sinais de dor pode comprometer meses de preparação. No Café com Tri, os apresentadores Sérgio Magalhães, Beto Nitrini e Wagner Spadotto receberam o ortopedista e triatleta Dr. Wander Ama para uma conversa detalhada sobre prevenção, diagnóstico e reabilitação de lesões no triatlo e na corrida de rua.

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As três lesões mais frequentes no endurance

Entre as queixas que mais lotam os consultórios ortopédicos, a síndrome patelofemoral lidera o ranking. Trata-se do processo inflamatório nos tendões patelar e quadricipital, muitas vezes associado não apenas ao déficit de força no quadríceps, mas também à falta de fortalecimento e mobilidade na região do quadril.

A segunda condição mais recorrente é a síndrome do atrito do trato iliotibial, conhecida popularmente como o joelho do corredor. De acordo com o Dr. Wander Ama, cerca de 90% dos casos se manifestam na lateral do joelho e estão diretamente atrelados a aumentos bruscos de volume de treino, e não necessariamente à intensidade dos tiros. Quando o atleta salta de distâncias menores para meias maratonas e maratonas sem a devida base muscular, o atrito contínuo deflagra a inflamação.

Prevenção e tratamento de lesões com o Dr. Wander Ama

Fechando a lista, aparecem as síndromes de impacto, como a periostite tibial (canelite). A anatomia da tíbia atua sob constante flexão no impacto contra o solo. Se a fase inicial da inflamação na membrana do osso for negligenciada pelo atleta, o quadro pode evoluir para edema ósseo e culminar em uma fratura por estresse, exigindo afastamento prolongado.

O fim do repouso absoluto e o papel do cross training

A abordagem médica para atletas em recuperação mudou consideravelmente nos últimos anos. A recomendação clássica de imobilidade e repouso total deu lugar ao estímulo de movimento controlado. Como o corpo humano é composto majoritariamente por água, manter a circulação ativa favorece a vascularização dos tecidos e acelera a regeneração muscular e óssea.

Nesse cenário, o cross training se consolida como ferramenta indispensável. Um corredor lesionado pode manter a capacidade cardiorrespiratória e a saúde mental utilizando a natação com flutuador ou rodagens leves na bicicleta, retirando a sobrecarga de impacto da estrutura lesionada sem interromper o condicionamento geral.

Fortalecimento, biomecânica e musculatura intrínseca

A constância nos treinos de força — seja por meio da musculação tradicional, do treinamento funcional ou da calistenia — é apontada como blindagem primária contra sobrecargas. O fortalecimento muscular melhora o recrutamento de fibras e estabiliza articulações essenciais como quadris e tornozelos.

A variação de estímulos também desempenha papel protetor. Superfícies irregulares, como no trail running, exigem propriocepção e ativam músculos secundários e intrínsecos que não são solicitados no asfalto plano. Essa distribuição equilibrada de cargas reduz o estresse repetitivo concentrado em grupos específicos, como panturrilhas e tendões de Aquiles.

O sono como pilar central de qualquer recovery

Apesar da popularização de tecnologias como botas de compressão pneumática, banhos de gelo e terapias com infravermelho, o Dr. Wander Ama enfatiza que o recurso regenerativo mais potente continua sendo o sono de qualidade. Sem descanso adequado, nenhum método auxiliar sustenta a recuperação fisiológica e hormonal do atleta.

O médico também alertou para os perigos de mascarar dores crônicas — aquelas que incomodam no início do aquecimento, somem durante o treino e reaparecem quando o corpo esfria. Investigar sintomas precocemente com exames de imagem e alinhar a carga entre médico, treinador e fisioterapeuta evita que pequenos incômodos se transformem em lesões impeditivas às vésperas das principais provas da temporada.

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