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Por que comer pouco sabota sua corrida, com Dani Jodar

A nutricionista esportiva explica os riscos da restrição alimentar severa, o uso de medicamentos e a saúde intestinal.

Treinar forte em déficit calórico severo compromete o rendimento, aumenta o risco de lesões e afeta o metabolismo. A nutricionista Dani Jodar detalha por que o carboidrato e a saúde intestinal são pilares inegociáveis para quem corre.

A busca por evolução na corrida frequentemente esbarra em uma armadilha silenciosa: a tentativa de conciliar treinos intensos com dietas extremamente restritivas. A nutricionista esportiva Dani Jodar explica que o combustível fornecido pela alimentação é a base não apenas para o rendimento nas pistas, mas para a sustentação hormonal e física do corpo a longo prazo.

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Performance versus déficit calórico: a conta que não fecha

Um dos principais desafios observados no consultório é a dualidade entre querer emagrecer e buscar alto desempenho na corrida. Enquanto a performance exige o aporte ideal de substrato energético para suprir o gasto e permitir a recuperação celular, o emagrecimento depende de déficit calórico. Quando essa restrição é severa, o corpo entra em colapso e não consegue sustentar o volume de treinos.

Segundo Dani Jodar, muitas atletas amadoras tentam reduzir porções ou adiar suplementações nos treinos longos por medo de ganhar peso, o que acaba resultando em quebra de ritmo, estagnação e até fraturas por estresse. Quando a ingestão de nutrientes é planejada corretamente para o gasto do treino, o corpo utiliza a energia com eficiência máxima, sem gerar ganho descontrolado de gordura.

Por que comer pouco sabota sua corrida, com Dani Jodar

O papel insubstituível dos carboidratos

Apesar das recorrentes ondas de dietas low carb e de modismos alimentares, o carboidrato segue como a fonte primária e mais eficiente de energia rápida para o corredor de endurance. Gorduras e proteínas possuem digestão significativamente mais lenta, o que inviabiliza o fornecimento imediato de glicose exigido pela contração muscular em ritmos moderados e intensos.

O consumo estratégico de carboidratos complexos no dia a dia — como tubérculos, arroz e frutas — e o uso de suplementos de fácil absorção durante os treinos (como géis) garantem que os estoques de glicogênio muscular permaneçam abastecidos. O treino em jejum ou sem suporte adequado de carboidratos eleva a percepção de esforço e prejudica a sinalização metabólica.

Canetas emagrecedoras, perda muscular e o risco de RED-S

Outro alerta importante trazido pela especialista envolve o uso indiscriminado de medicamentos para emagrecimento por pessoas que praticam atividade física de alto impacto sem o devido acompanhamento médico e nutricional. Ao inibir o apetite e desacelerar o esvaziamento gástrico, esses fármacos levam frequentemente a uma ingestão calórica e proteica irrisória.

A consequência direta dessa falta de substrato inclui perda acelerada de massa muscular, queda de imunidade, alterações no ciclo menstrual e queda hormonal. Esse cenário de baixa disponibilidade energética crônica é caracterizado como RED-S (Deficiência Energética Relativa no Esporte), cujos impactos ósseos e metabólicos podem persistir por anos mesmo após a recuperação do peso.

Treinamento intestinal e desconfortos no percurso

Sintomas gastrointestinais como estufamento, refluxo e diarreia são queixas comuns entre corredores de rua, mas não devem ser normalizados. O próprio movimento mecânico da corrida acelera o trânsito do trato digestivo, exigindo que o intestino seja adaptado de forma progressiva à suplementação utilizada nas provas.

Dani Jodar ressalta que alimentos ricos em compostos fermentáveis (FODMAPs) — como cebola, alho, feijão e certas folhas cruas — quando consumidos próximos aos treinos longos, podem agravar o desconforto gástrico. A estratégia passa por testar os alimentos nos treinos, hidratar-se adequadamente e selecionar fontes de carboidrato bem toleradas pelo organismo de cada atleta.

Fazer as pazes com a comida para manter a constância

A chave para uma vida atlética duradoura reside em desmistificar a comida e abandonar a culpa ao se alimentar. Enxergar o prato como ferramenta de saúde, regeneração e performance liberta o corredor da busca por padrões estéticos inalcançáveis e garante consistência nos treinos ao longo dos anos.

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