Curated
Voltar S @stemma 4 min de leitura
sports

Paula Sícoli: a jornada de superação até o Ironman

Da paixão pelo mar à linha de chegada nos 226 km, triatleta relembra trajetória e superação de trauma pessoal.

Paula Sícoli detalha como o esporte e a natação foram fundamentais para superar traumas e alcançar o sonho de se tornar uma Ironman. Em conversa franca, ela compartilha sua visão sobre maternidade, águas abertas e o apoio feminino no triathlon.

A relação de Paula Sícoli com os esportes de resistência vem de berço. Filha de ex-nadador profissional e triatleta amador, ela cresceu nas praias de Niterói e começou a correr ainda na juventude, inspirada pelos treinos com a mãe e pelo exemplo familiar. Anos mais tarde, foi ela quem incentivou a irmã gêmea, Lana Sícoli (do canal Eu Escolhi Correr), a ingressar nas corridas de longa distância, transformando o incentivo mútuo em uma marca registrada da família.

PUBLICIDADE (GAM) — 1250x250

A conexão com o mar e as maratonas aquáticas

Entre as três modalidades do triathlon, a natação em águas abertas ocupa um espaço afetivo único na rotina de Paula. Acostumada ao mar desde a infância, a atleta encontra na água um refúgio e uma fonte de controle emocional para lidar com a ansiedade antes das provas. Integrante da equipe de treinamento Anjos d'Água, voltada para provas longas, Paula já concluiu maratonas aquáticas de 10 km e encara desafios em mar aberto sem roupa de borracha.

Para quem busca segurança e desempenho no mar, a triatleta reforça a necessidade de treinar em condições reais de correnteza e ondulação. Segundo Paula, apenas a vivência prática no mar confere a tranquilidade necessária para encarar provas de endurance sem entrar em pânico durante a largada.

Paula Sícoli: a jornada de superação até o Ironman

Superação, renascimento e a volta aos treinos

O triathlon também desempenhou um papel terapêutico decisivo na vida de Paula após um período traumático em Manaus, quando foi vítima de um sequestro. O episódio resultou em síndrome do pânico, perda acentuada de peso e dificuldades para sair de casa e dirigir. A retomada foi construída gradualmente na piscina e nos treinos guiados pelo treinador Márcio Soares, que a acompanhou nas primeiras pedaladas e provas curtas de sprint.

O reencontro com os treinos devolveu o apetite, a força física e a confiança para voltar a competir. A vitória pessoal de reassumir o controle da própria rotina abriu espaço para desengavetar um sonho antigo que a acompanhava desde a infância: concluir uma prova de distância full no Ironman.

A rotina do Ironman e o equilíbrio com a maternidade

A preparação para os 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42,2 km de corrida exigiu planejamento minucioso para conciliar os treinos pesados com a criação dos dois filhos pequenos. Orientada pelo técnico Felipe Guedes, Paula priorizava as sessões de maior volume nos horários escolares, ajustando o cronograma à rotina familiar.

A atleta destaca que manter a leveza mental e saber pausar foram fundamentais durante o ciclo, evitando que a cobrança excessiva por ritmo ou tempos prejudicasse o prazer de vivenciar o processo. O apoio do marido e a flexibilidade para adaptar treinos garantiram que a linha de chegada fosse cruzada com diversão e sentimento de realização.

Apoio e representatividade feminina no esporte

Paula também ressalta a importância de fortalecer a presença feminina nas provas de endurance, um ambiente historicamente dominado pelo público masculino. Desde os desafios de segurança pública nos treinos de rua até a necessidade de redes de apoio familiar para mães atletas, ela defende a empatia e o acolhimento mútuo entre as mulheres na linha de largada.

Inspirada por pioneiras como Fernanda Keller e nomes do triathlon como Brenda e Ariane Monticeli, Paula vê o esporte como uma ferramenta de conexão genuína, na qual a coragem de estar presente vale mais do que qualquer comparação de performance.

PUBLICIDADE (GAM) — 1250x250

Mais de @stemma