O futuro da House of Pace e do Voturuna Park no endurance
JP Perpétuo e Rodolfo Morais detalham planos de expansão física, provas próprias de trail e integração tecnológica.
À frente da House of Pace e do Voturuna Park, JP Perpétuo e Rodolfo Morais projetam os próximos passos dos negócios. A estratégia combina infraestrutura física, novas provas de trail run e tecnologia como cola do ecossistema esportivo.
No ecossistema do endurance brasileiro, a integração entre marcas, atletas, assessorias e espaços dedicados ao treino ainda é fragmentada. Para JP Perpétuo e Rodolfo Morais, fundadores da House of Pace (HOP) e gestores do Voturuna Park, a grande oportunidade do mercado está justamente em preencher essas lacunas, atuando como infraestrutura física, digital e tecnológica.
A visão de ecossistema e a cola do mercado
Segundo JP Perpétuo, a atuação da HOP e do Voturuna busca resolver a falta de conexão que ainda afeta diferentes pontas da corrida e do endurance. Marcas de vestuário e suplementação, assessorias esportivas e criadores de conteúdo frequentemente operam sem uma estrutura integrada. A proposta da dupla envolve unir serviços de mídia, produtos físicos desenvolvidos em parceria com a comunidade e soluções digitais sob uma mesma tese de negócio.
A diferenciação da HOP passa também pela forma como a comunidade é envolvida nas decisões. Em vez de seguir formatos padronizados, como treinos convencionais de shakeout run, o projeto aposta em produtos cocriados com os próprios corredores, que participam ativamente da votação de designs e lançamentos de merchandising.
Planos para o Voturuna Park até 2027
Responsável direto pela operação do Voturuna Park, na região da Estrada dos Romeiros, Rodolfo Morais explica que a meta para 2027 é expandir a capacidade de atendimento nos fins de semana e destravar o fluxo de público de segunda a sexta-feira. A estratégia inclui a atração de passeios escolares e eventos corporativos, que já registraram alta procura no fechamento do ano.
No calendário esportivo, o plano é estabelecer provas proprietárias de trail running que fujam do lugar-comum. Com o crescimento da modalidade nas trilhas, a proposta é criar eventos emblemáticos e formatos diferenciados no parque, aproveitando as características geográficas da região.
A expansão física não se limita apenas ao espaço atual. A meta de longo prazo dos sócios é replicar o modelo de infraestrutura física do Voturuna em outras praças estratégicas para a prática esportiva, respeitando as particularidades de real estate e logística de cada região.
Engenharia reversa: comunidade antes do software
Em um cenário no qual o desenvolvimento de software e inteligência artificial se tornou amplamente acessível, JP e Rodolfo optaram por construir primeiro a barreira defensiva por meio do espaço físico e da autoridade de comunidade. A partir desse go-to-market estabelecido, a equipe testa e itera produtos tecnológicos com usuários reais.
Essa proximidade com os atletas de endurance levou a ajustes importantes na tese de produto. Inicialmente desenhada para agregar grandes volumes de métricas biossensoriais de diferentes dispositivos, a solução foi recalibrada ao perceber que os praticantes buscavam uma relação menos refém do excesso de dados e mais focada na experiência prática. Nos bastidores, a operação da empresa já utiliza automações e agentes de inteligência artificial no dia a dia para otimizar processos internos e gerenciar a chegada de novas parcerias.