O boom dos tênis de corrida com placa de carbono: dicas de uso
Rodrigo Roehniss explica a importância da adaptação e os riscos de trocar de modelo perto das provas.
Os tênis com placa de carbono revolucionaram o esporte, mas seu uso ainda gera dúvidas entre corredores. Especialistas debatem se é preciso usá-los nos treinos ou guardá-los apenas para o dia da prova. Rodrigo Roehniss oferece insights valiosos sobre a adaptação e os cuidados necessários.
Tênis de placa de carbono: usar só na prova ou nos treinos?
A chegada dos tênis com placa de carbono transformou o desempenho de muitos corredores, mas trouxe consigo um dilema comum: devo guardar esse supercalçado apenas para o dia da prova ou preciso incluí-lo nos treinos? Para muitos atletas, a lógica é semelhante à das rodas de carbono na bicicleta: equipar apenas para o grande dia. É o caso de um dos participantes da conversa, que usa seu Rocket X 2 somente nas competições, reservando outros modelos como Correr Turbo para treinos de velocidade e Vomero para rodagens. A sensação, segundo ele, é de ter um "tênis diferente" na prova, que realmente impulsiona.
Rodrigo Roehniss, especialista e convidado, esclarece que, embora a ideia de "poupar" o tênis para a prova seja tentadora, é crucial ter alguma experiência com ele. "Você tem que ter uma experiência de pelo menos dois longos", afirma Roehniss, sugerindo que os dois maiores treinos longos do planejamento sejam feitos com o calçado de competição. Essa prática garante que a musculatura se adapte à dinâmica do tênis, evitando surpresas e possíveis desconfortos no dia da corrida. A mentalidade antiga de "amaciar" o tênis, contudo, não se aplica mais aos modelos atuais, que já vêm prontos para o uso.
O risco de trocar de modelo antes da prova
Um erro comum e potencialmente prejudicial, segundo Roehniss, é a troca radical de modelo de tênis com placa de carbono muito próximo a uma competição importante. Ele cita o exemplo de um corredor que usa um New Balance Elite e decide, no sábado anterior à maratona, comprar um Adios Pro para correr. Rodrigo explica que modelos diferentes, mesmo com placa, possuem geometrias e posicionamentos distintos da placa, o que pode alterar significativamente a biomecânica da corrida.
Essa diferença pode gerar incômodos ou até lesões, mesmo para quem já tem experiência com tênis de placa. A cautela é redobrada quando se trata de modelos completamente diferentes. Pequenas evoluções de um mesmo modelo, de uma edição para outra, geralmente são menos problemáticas, mas mudanças drásticas exigem tempo de adaptação. A experiência e a familiaridade com o calçado são chaves para maximizar os benefícios dos tênis de placa de carbono e garantir uma prova sem imprevistos.