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Mulheres no Ciclismo: Medo, Autonomia e a Força da Comunidade

Gisele Gasparotto, da Lulu Ciclismo, revela como a bike transforma vidas femininas no esporte.

Descubra como o ciclismo feminino, através da comunidade e da técnica, empodera mulheres. Gisele Gasparotto, fundadora da Lulu Ciclismo, compartilha sua jornada e insights sobre como superar medos e encontrar liberdade sobre duas rodas. Um papo inspirador para quem quer pedalar.

No podcast "Girls Who Run", as hosts Mariana Real e Marcela Fanti receberam Gisele Gasparotto, ciclista, empreendedora e fundadora da Lulu Ciclismo, além de host do programa "Na Roda do Stemma". O bate-papo, que se estendeu para além da corrida, explorou o universo do ciclismo feminino, desvendando medos, a importância da autonomia e o poder transformador da comunidade no esporte. A conversa destacou como a bicicleta pode se tornar um espaço de liberdade e pertencimento para mulheres.

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Desvendando o Ciclismo Feminino: Além do Pedal

Para muitas mulheres, começar a pedalar não é apenas subir na bike, mas sim superar uma série de medos e inseguranças. Gisele Gasparotto compartilha que, historicamente, o ciclismo não foi um espaço feito para elas, gerando receios como: medo de cair, de não acompanhar o grupo, de não saber trocar marchas ou de ser julgada. Ela mesma teve um início desafiador, usando a bicicleta como meio de transporte em São Paulo em 2005, antes mesmo da infraestrutura cicloviária existir, e lidando com situações de assédio.

Segundo Gisele, a diferença entre saber andar de bicicleta e saber pedalar é crucial para o esporte. A técnica é fundamental para a segurança, eficiência e performance. Isso inclui aprender a usar os freios corretamente, ativar os músculos certos para a estabilidade, fazer curvas com o quadril (e não só com o guidão), e entender a troca de marchas. A falta de conhecimento inicial pode levar a vícios e inseguranças, afastando as mulheres do esporte.

Mulheres no Ciclismo: Medo, Autonomia e a Força da Comunidade

Lulu Ciclismo: Uma Comunidade que Transforma

A Lulu Ciclismo nasceu da paixão de Gisele por ver mais mulheres no esporte que mudou sua vida. Inicialmente focada em aprimorar a técnica de ciclistas, a iniciativa se expandiu para acolher iniciantes. O nome "Lulu" foi inspirado na marca Lululemon, que tinha uma equipe feminina de ciclismo em parceria com a Specialized, mas também remete ao "Clube da Luluzinha" pela sua essência de grupo feminino.

A Lulu Ciclismo atua como uma porta de entrada para o esporte, oferecendo cursos de iniciação e utilizando bicicletas da Specialized para quem ainda não quer investir. A metodologia de 10 aulas ensina desde o básico, como subir e descer da bike, até técnicas avançadas, desmistificando o ciclismo e dando autonomia às mulheres. Além dos cursos, a Lulu oferece: treinamento em grupo presencial, planilhas de treino personalizadas, e o programa "Buddies", onde alunas mais experientes acolhem as novatas. Essa comunidade é essencial para a troca de experiências, o suporte mútuo e a superação de medos.

A Importância dos Grupos de Apoio

Dentro da Lulu, a organização por níveis (quatro pelotões, do iniciante ao avançado) garante que cada mulher pedale em seu ritmo, minimizando a comparação e promovendo um ambiente de acolhimento. Gisele enfatiza que, embora a comparação seja natural, o foco deve ser na evolução pessoal. A experiência em grupo é fundamental não só para a segurança (em caso de pneus furados ou acidentes), mas também para a motivação e a construção de vínculos fortes que se estendem para fora das pedaladas.

A Bike como Ferramenta de Autonomia e Superação

Para Gisele Gasparotto, a bicicleta representa realização e liberdade. Ela a vê como uma terapia, um espaço onde consegue resolver seus problemas e se reconectar consigo mesma. A bike transformou sua vida, tornando-a uma pessoa mais paciente e menos impulsiva. O ciclismo, por sua natureza, exige resiliência e ensina a lidar com a falta de controle sobre as situações, uma valiosa lição de vida.

A superação dos medos no ciclismo é uma jornada pessoal. Gisele destaca a importância de diferenciar um medo limitante (que paralisa) de um medo que protege. Ela alerta para o "excesso de confiança", que pode levar a decisões imprudentes, e incentiva as ciclistas a fazerem escolhas conscientes para mitigar riscos. O esporte, que era visto como intimidante, torna-se um caminho para o empoderamento feminino e para uma nova relação com o próprio corpo e a cidade.

O Futuro do Ciclismo no Brasil: Desafios e Oportunidades

Embora o ciclismo feminino tenha avançado muito no Brasil, ainda há desafios. Gisele aponta para a disparidade entre o ciclismo amador e o profissional, com a falta de apoio e desenvolvimento de base para atletas. A ausência de ídolos nacionais no ciclismo de estrada dificulta a visibilidade e o engajamento do esporte em massa. Além disso, a infraestrutura (mais ciclovias e velódromos) e a cultura de respeito no trânsito são pontos cruciais para o crescimento do ciclismo.

No entanto, Gisele é otimista. Com a crescente participação feminina e o trabalho de iniciativas como a Lulu Ciclismo, que visa ocupar espaços e oferecer um ambiente seguro, o futuro do esporte é promissor. A experiência de viajar e explorar novos lugares de bicicleta, como a Estrada dos Romeiros ou Poços de Caldas, é um dos grandes atrativos, criando memórias e fortalecendo os laços da comunidade.

Para quem se sente inspirada a começar, o primeiro passo é buscar um grupo ou assessoria que ofereça orientação e acolhimento. Iniciativas como a Lulu Ciclismo em São Paulo, ou grupos noturnos oferecidos por bicicletarias, são ótimos pontos de partida para experimentar a sensação de liberdade e pertencimento que o ciclismo pode proporcionar. O importante é dar o primeiro pedal, permitindo-se sentir o vento no rosto e descobrir o prazer de duas rodas.

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