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Monitoramento fisiológico em tempo real no esporte de endurance

O médico José Cruvinel Neto explica como sensores de glicemia, suor e temperatura corporal refinam treinos e provas.

Dispositivos que medem glicose intersticial, perda de eletrólitos e temperatura central estão transformando o esporte de endurance. O médico José Cruvinel Neto detalha como interpretar esses dados para melhorar nutrição, hidratação e rendimento.

A tecnologia vestível no esporte de alto rendimento foi muito além de marcar ritmo e distância no GPS. O monitoramento de variáveis fisiológicas em tempo real — como níveis de glicose no tecido, taxa de sudorese com perda de sais minerais e temperatura corporal central — passou a orientar decisões estratégicas de treino, nutrição e recuperação no endurance. Em conversa no Stemma Performance, a triatleta e apresentadora Bruna Mahn recebeu o médico do esporte e cirurgião José Cruvinel Neto para desmistificar o uso desses dispositivos.

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Monitoramento de glicemia intersticial com o Libre

Originalmente desenvolvido para o acompanhamento de pacientes com diabetes, o sensor Freestyle Libre afere a glicose no líquido intersticial e ganhou espaço entre atletas que buscam afinar a ingestão de carboidratos. Segundo José Cruvinel, o objetivo central no esporte não é apenas evitar quedas de rendimento durante o esforço, mas preservar o estoque de glicogênio muscular e hepático para acelerar a recuperação pós-treino.

O médico destaca que a análise deve focar na tendência da curva glicêmica ao longo da atividade, e não em números isolados. Casos de hipoglicemia subclínica — quando a glicose cai sem gerar sintomas imediatos — forçam o organismo a mobilizar estoques internos precocemente, prejudicando a síntese proteica posterior. O monitoramento também ajuda a identificar a resposta individual à ingestão de carboidratos (seja 60 g/h, 90 g/h ou mais de 100 g/h) e alerta sobre os riscos do treino em jejum para atletas que não possuem alta taxa de oxidação de gorduras (Fat Max).

Monitoramento fisiológico em tempo real no esporte de endurance

Controle de suor e perda de sódio com o Nix

Dispositivos adesivos como o Nix (e alternativas como o HDrop) analisam o suor para quantificar o volume hídrico e a concentração de sódio e eletrólitos perdidos por hora. Cruvinel ressalta que essa avaliação precisa considerar o clima e a intensidade da atividade, servindo para calibrar a reposição exata de líquidos e sais em dias de prova sob calor severo.

Do ponto de vista de segurança médica geral, a recomendação clássica segue sendo beber água conforme a sede, o que previne tanto a desidratação severa quanto a hiponatremia (queda crítica de sódio sanguíneo causada por excesso de água pura). Contudo, para quem busca extrair a máxima performance, conhecer a taxa de sudorese permite repor com precisão sem carregar peso desnecessário na prova.

Temperatura corporal central e aclimatação com o sensor CORE

Entre as tecnologias mais recentes, o sensor CORE — acoplado à fita cardíaca — monitora a temperatura corporal central (do núcleo) durante o exercício. Quando a temperatura interna sobe em excesso (hipertermia), ocorre uma dissociação dos limiares ventilatórios: a potência sustentável cai e o atleta consome reservas anaeróbias rapidamente sem perceber, caminhando para a exaustão ou colapso.

Cruvinel explica que o equipamento permite identificar a faixa térmica de trabalho de cada atleta por meio de testes progressivos (como o Heat Ramp Test). Treinos controlados nessa zona de temperatura estimulam a aclimatação ao calor. Na prática esportiva, ao notar que a temperatura ultrapassou o limite seguro, o atleta sabe a hora exata de reduzir a intensidade, abrir a camisa e aplicar resfriamento externo antes de quebrar.

Frequência cardíaca: fita peitoral versus sensor óptico

Embora a frequência cardíaca seja uma métrica sensível a fatores como calor, estresse e desidratação, a precisão da leitura depende do sensor utilizado. Cruvinel aponta que a fita peitoral (com destaque para modelos da Polar como referência em precisão laboratorial e pesquisa) capta o sinal elétrico direto do coração, superando os sensores ópticos de pulso dos relógios, que costumam apresentar atraso na leitura das variações rápidas de ritmo e na recuperação.

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