Marcella Fanti: O Recomeço, Empreendedorismo e a Força da Corrida
Após uma demissão inesperada, Marcella Fanti, co-host do Girls Who Run, mergulha na jornada empreendedora, impulsionada pela paixão e disciplina do esporte.
Neste episódio do Girls Who Run, Marcella Fanti compartilha sua experiência de transição do mundo corporativo para o empreendedorismo. Ela revela os desafios e medos da demissão, a redescoberta de propósito e como a corrida se tornou uma âncora essencial neste recomeço, quebrando o ciclo de autossabotagem e abraçando novos sonhos.
No Girls Who Run, Mariana Real entrevista Marcella Fanti, sua co-host, em um episódio emocionante sobre recomeços. Marcella, que dedicou mais de 15 anos ao mundo corporativo, compartilha a virada de chave em sua vida após uma demissão inesperada, sua jornada no empreendedorismo e como a corrida tem sido fundamental nesse processo de autodescoberta e construção de uma nova realidade.
A Trajetória na Vida Corporativa e o Chamado por Mais Autonomia
Com 15 anos de experiência no mercado corporativo, Marcella Fanti, administradora de formação, sempre buscou alinhar sua criatividade e desejo de construir com seu trabalho. Ela relembra experiências marcantes na Nestlé, onde liderou o programa de qualidade de vida, e no Well Hub, onde ajudou a criar o aplicativo Welp para saúde mental. Nesses momentos, sentia um propósito e autonomia que a preenchiam genuinamente.
No entanto, ao se afastar desses projetos e retornar a funções mais tradicionais, a insatisfação cresceu. Marcella sentia que estava “jogando seu tempo no lixo”, vivendo dias sem motivação, onde o único objetivo era o salário para cobrir despesas pessoais. Essa desconexão com seu propósito culminou na percepção de que precisava de uma mudança, mesmo que não soubesse como provocá-la.
O Impacto da Demissão e a Insegurança do Empreender
A demissão, embora inesperada, foi um catalisador para Marcella. Inicialmente, o choque e o luto pela perda de um caminho "seguro" foram intensos, mas rapidamente se misturaram à sensação de oportunidade. Ela usa a metáfora do "vídeo da girafinha" para descrever as fases de processamento da mudança, admitindo que o desejo de "virar a chave" rapidamente não a permitiu vivenciar plenamente as emoções necessárias.
Marcella enfatiza a importância de não romantizar o processo empreendedor. Os desafios financeiros e a montanha-russa emocional são reais. No entanto, o apoio incondicional de seu marido, amigos e família foi crucial. Ninguém a desmotivou; pelo contrário, todos a encorajaram a seguir seus novos projetos, como o Girls Who Run e o Make.Corporate, um projeto para mulheres que buscam redesenhar suas carreiras. Esse suporte externo a ajudou a acreditar em seu próprio potencial.
A Corrida como Âncora e Impulsionadora do Recomeço
O esporte sempre esteve presente na vida de Marcella, desde a ginástica olímpica na infância até seu retorno na vida adulta. Ela se afastou durante a adolescência, enfrentando questões de autoimagem, mas reencontrou na corrida uma ferramenta poderosa de disciplina e autoconhecimento. A corrida a ensinou a estabelecer metas, a se comprometer com o processo e a ver que a consistência leva a resultados.
A Meia do Rio, corrida que fez logo após a demissão, foi um marco. Marcella bateu seu recorde pessoal, um momento de profunda emoção que a lembrou de sua força e capacidade de superação. Enfrentar um novo esporte, o ciclismo, também a colocou em uma posição de vulnerabilidade e aprendizado, superando medos e provando que é capaz de se adaptar a novos desafios. Atualmente, o ciclo de maratona serve como uma âncora de disciplina, estruturando sua rotina e fortalecendo-a emocionalmente para a jornada empreendedora.
Desconstruindo a Mediocridade e Abraçando o Sonho
Marcella revela sua luta contra a autopercepção de ser "medíocre", ou seja, alguém que se conforma com a média e teme sonhar alto. Essa mentalidade a impedia de se assumir como criadora de conteúdo ou influenciadora, apesar do sucesso do Girls Who Run. A síndrome do impostor a fazia questionar sua relevância e capacidade de ocupar espaços de destaque.
Através da terapia e do encorajamento de pessoas próximas, Marcella tem feito um esforço consciente para internalizar sua capacidade e permitir-se sonhar grande. Ela percebe que as melhores coisas em sua vida aconteceram quando pensou menos nos obstáculos e mais no prazer de criar. Este novo momento é um exercício diário de acreditar em si mesma e se jogar nos projetos com paixão e sem autossabotagem.
Os recomeços nem sempre vêm como planejamos, mas, como a história de Marcella Fanti demonstra, podem ser portais para a autonomia, propósito e a descoberta de uma força interior que a corrida tão bem ensina. É um lembrete de que, com coragem, apoio e autoconfiança, podemos transformar o inesperado em um caminho de realização, com a próxima linha de chegada sempre à vista.