Maratona da Muralha da China: 5.164 degraus de uma experiência única
José Eduardo Garcia e Iris Oliveira revelam os desafios e os encantos de uma maratona com paisagens milenares e cultura vibrante.
A Maratona da Muralha da China é um desafio que vai muito além dos 42km. Com 5.164 degraus e trechos rústicos, a prova oferece uma imersão cultural e esportiva sem igual. José Eduardo Garcia e Iris Oliveira compartilharam suas impressões sobre esta corrida icônica e as particularidades de viajar para a China.
José Eduardo Garcia, conhecido por suas impressionantes 156 maratonas em 25 países e como embaixador do Marathon Maniacs no Brasil, ao lado de Iris Oliveira, sua companheira de aventura, participaram de um episódio especial do Stemma China. O foco? A inesquecível Maratona da Muralha da China, uma prova que desafiou seus limites e ofereceu uma perspectiva única sobre o país asiático.
A ideia de correr na Grande Muralha surgiu de Iris, que há muito tempo sonhava com essa prova. José, sempre em busca de novas experiências, aceitou o desafio. Para estrangeiros, a inscrição na Maratona da Muralha da China possui uma particularidade: é obrigatório fazê-la através de uma agência de turismo, como a Kema ou a Turismo Sob Medida no Brasil. Segundo José, os preços são bem padronizados e comparáveis, mesmo com agências internacionais.
Os Desafios da Muralha: Degraus e Variações
A prova é famosa pelos seus 5.164 degraus. O Carlos Guieiros, co-apresentador, ressaltou a origem da corrida, idealizada por uma agência dinamarquesa em 1999. Embora o nome sugira correr toda a Muralha, apenas cerca de 7 km do percurso total de 42 km são sobre a Muralha, divididos em dois trechos de 3,5 km. O restante se desenrola por vilas locais, proporcionando uma experiência cultural e a interação com moradores.
Os trechos na Muralha não são apenas escadas; há partes mais planas, mas o terreno é rústico e irregular. As escadarias são um desafio à parte, exigindo escalada e atenção redobrada, especialmente nas descidas íngremes e imprevisíveis. A época da prova, realizada no meio do ano, também adiciona um complicador: as temperaturas podem chegar a quase 30 graus, tornando a corrida ainda mais exigente.
A Viagem à China: Visto, Comunicação e Costumes
A preparação para a viagem à China envolveu algumas peculiaridades. Embora atualmente brasileiros estejam isentos de visto para estadias de até 90 dias, José e Iris precisaram passar por um processo burocrático e demorado para obter o visto de 10 anos em 2023. A viagem foi feita pela Air France, com conexão em Paris até Pequim.
Ao chegar, a agência de turismo facilita o receptivo e a entrega do kit da prova diretamente no hotel. Uma das maiores dificuldades, segundo eles, foi a barreira do idioma. Mesmo em Pequim, a comunicação em inglês é rara, exigindo o uso de aplicativos de tradução para tarefas simples como pedir comida em restaurantes. A culinária local, com seu tempero adocicado, também se mostrou um desafio, com José e Iris optando por um McDonald's na véspera da prova para evitar riscos.
A questão da conectividade e pagamentos também se destaca. O acesso a redes sociais como WhatsApp, Instagram e até o Google é bloqueado na China. Planos de celular internacionais podem funcionar, mas o Wi-Fi local restringe o acesso. Quanto aos pagamentos, o país é praticamente cashless, dominado por aplicativos como WeChat Pay e Alipay. Cartões de crédito internacionais são raramente aceitos, e dinheiro em espécie também é pouco utilizado.
O Dia da Corrida: Superação e Experiência
A logística da prova envolve um transfer de 1h30 de ônibus de Pequim para o local da largada, que acontece por volta das 9h. Antes da largada, há uma apresentação cultural e um briefing técnico, este último em inglês, já que a organização é europeia. O percurso é dividido em uma parte inicial de asfalto, seguida por uma longa subida até a Muralha, os trechos desafiadores sobre ela e passagens por vilas, com o trecho de volta na Muralha sendo ainda mais difícil.
Para José Eduardo, a Maratona da Muralha da China foi uma prova de superação pessoal, pois ele estava se recuperando de uma fratura por estresse no púbis. Mesmo sem o preparo ideal, ele decidiu ir para completar a prova. A partir do quilômetro 15, José e Iris seguiram juntos, caminhando e correndo, aproveitando cada momento. Ele concluiu em pouco mais de 6 horas, dentro do limite de 8 horas, focando na experiência em vez da performance.
Recomendações e o Futuro em Xangai
A Maratona da Muralha da China é altamente recomendada por José e Iris para qualquer corredor em busca de uma experiência única. Não é uma prova para buscar recordes pessoais, mas sim para interagir com um monumento histórico e absorver a cultura. É uma das poucas corridas onde se pode literalmente correr sobre uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo.
O futuro reserva novos desafios para José, que está próximo de completar as seis maiores maratonas do mundo e de olho em Xangai, que deve se tornar a nona Major. A demanda para Xangai será alta, impulsionada pelo interesse chinês na corrida e pelo impacto de atletas como Eliud Kipchoge, que tem grande influência midiática e parcerias com marcas chinesas como a Huawei. José Eduardo, com sua filosofia de treinar com alto volume e sem programas específicos, segue em sua jornada, buscando novas maratonas e inspirando outros corredores.
Por fim, José Eduardo fez uma comparação entre a cultura japonesa e a chinesa para corredores, desmistificando a ideia de que são similares. Enquanto os japoneses são solícitos e disciplinados (respeitando sinais de trânsito e buscando ajudar turistas), os chineses são mais diretos, com uma cultura de trânsito caótica e pouca fluência em inglês, mesmo em áreas turísticas de Pequim. Essas diferenças culturais enriqueceram ainda mais a experiência da viagem e da corrida.