Luiz Topan: Da Aconcágua a Kona, A Jornada de um Multiesportista
Conheça a incrível trajetória de Luiz Topan, que transformou limites em novos começos, dominando oceanos, montanhas e as maiores provas de resistência.
Neste episódio do Natação Stemma, Luiz Topan, promotor de justiça e atleta multifacetado, compartilha sua jornada. Do judô à natação, escalada, múltiplos pódios em Kona e as desafiadoras ultramaratonas aquáticas, ele revela como a disciplina e o prazer guiam sua vida. Uma conversa inspiradora sobre resiliência, superação e o equilíbrio entre a vida pessoal e o alto rendimento no esporte.
No podcast Natação Stemma, os anfitriões Samir Barel e Wanderley Santos receberam Luiz Topan, um atleta cujas experiências se estendem das montanhas mais altas aos oceanos mais desafiadores. Promotor de justiça por profissão, Topan é a personificação da resistência, coragem e paixão pelo esporte, com uma trajetória que inspira não só pelos resultados, mas pela disciplina e resiliência.
Disciplina e Recomeço: A Base da Jornada de Topan
A história de Topan começa com uma base sólida incutida por sua mãe: a obrigatoriedade de praticar dois esportes (judô e natação) e manter notas altas. Essa rotina estabeleceu uma disciplina que seria fundamental em sua vida. Após um período focado nos estudos e na carreira de promotor, Topan se viu com 101 kg. O desejo de saúde e bem-estar o impulsionou de volta ao esporte. Ele enfatiza: a motivação é importante, mas nada supera a disciplina e a constância.
Dos Picos da Aconcágua aos Pódios de Kona
A volta ao esporte não foi linear. Guiado pelo acaso — ou pelo que ele chama de filosofia "Zeca Pagodinho" de "deixa a vida me levar" —, Topan migrou da musculação para a escalada, inicialmente para a de rocha e depois para a de gelo. Foi nas alturas da Aconcágua que ele alcançou um recorde mundial de velocidade em 2005, subindo do acampamento base ao cume em 5 horas e 23 minutos. A promessa à família de parar de escalar aos 40 anos ou após o recorde foi cumprida, marcando o fim de uma era.
A transição para o triatlo veio de forma semelhante, quase por curiosidade. Começando em provas curtas (sprint e olímpico), Topan rapidamente se destacou, qualificando-se para o Mundial. Sua jornada no Ironman é notável: ele participou de seis edições do Mundial de Kona, conquistando dois pódios em sua categoria. Para conciliar o treino de alto rendimento com a carreira e a família, Topan ressalta a importância da organização e de ser um "dormidor curto", além de um bom diálogo com a família para não se tornar o "chato do esporte".
Ultramaratonas Aquáticas: Um Novo Capítulo e a Resiliência à Dor
Uma lesão na coluna vertebral forçou Topan a se afastar do triatlo, levando-o a uma nova modalidade: as ultramaratonas aquáticas. Ele encontrou na natação um esporte que exigia menos impacto, mas ainda desafiava sua resistência e força mental. Atualmente, treinando com Samir Barel e a equipe Alvorada, ele foca em provas de longa distância, como a desafiadora Capri-Nápoles. Sua experiência recente na travessia Rio-Itanhaém (14 Bis) de 15 km, enfrentando fortes correntes e dores no ombro, demonstrou sua resiliência. A técnica de "contar braçadas" se mostrou eficaz para desviar o foco da dor, um aprendizado valioso vindo da experiência em outras modalidades.
O Equilíbrio do Atleta Amador: Disciplina com Prazer
A filosofia de Luiz Topan para o esporte amador é clara e poderosa: "disciplina e prazer". Ele adverte contra a tentação de treinar como um atleta olímpico, ignorando as demandas da vida real, e a importância de equilibrar os treinos com momentos de lazer. A variabilidade no esporte e a capacidade de se divertir são cruciais para a longevidade e a paixão pela atividade física. Sua jornada, marcada por pódios, recordes e superação de lesões, é um testemunho da força de vontade e da importância de adaptar os objetivos à realidade, mantendo sempre o prazer em cada braçada, pedalada ou passo.