Curated
Voltar S @stemma 7 min de leitura
sports

Incontinência Urinária em Atletas: Mitos e Soluções com Gizele Monteiro

Descubra por que a perda de urina durante o treino não é normal e como a especialista Gizele Monteiro oferece o caminho para a recuperação e alta performance.

A incontinência urinária afeta muitas atletas, mas não deve ser normalizada. Gizele Monteiro, especialista em recuperação pélvica e abdominal, explica as causas, os impactos na performance e exercícios eficazes para prevenir e tratar o problema. Entenda como o fortalecimento específico pode transformar sua saúde e seus treinos.

No podcast Stemma Performance, a apresentadora Bruna Mahn recebe a especialista Gizele Monteiro para um bate-papo fundamental sobre um tema ainda delicado, mas de extrema importância para atletas: a incontinência urinária. Juntas, elas desmistificam a ideia de que a perda de urina durante atividades físicas ou até mesmo em situações cotidianas é normal, oferecendo insights valiosos e soluções práticas para a prevenção e o tratamento.

PUBLICIDADE (GAM) — 1250x250

Incontinência Urinária em Atletas: Um Problema Comum, Mas Não Normal

Gizele Monteiro, especialista em recuperação abdominal e pélvica, destaca que a perda de urina durante a corrida, saltos, espirros ou em treinos de alta intensidade não é normal. Embora seja uma realidade para uma parcela significativa de atletas, esse sintoma é um sinal de alerta que merece atenção e tratamento. A crença de que isso faz parte do esporte ou da maternidade é um equívoco que impede muitas mulheres de buscar ajuda.

Estudos mostram que entre 23% e 52% das atletas (amadoras e profissionais) enfrentam algum nível de incontinência urinária, sendo que em alguns artigos a proporção chega a quatro em cada dez mulheres. Esses números alarmantes reforçam a urgência de discutir o tema abertamente e oferecer caminhos para a solução.

Incontinência Urinária em Atletas: Mitos e Soluções com Gizele Monteiro

As Causas por Trás da Perda de Urina e Diástase

A corrida, devido ao seu impacto repetitivo, e outros esportes de alta intensidade, geram uma pressão na pelve que pode fragilizar a musculatura do assoalho pélvico. Essa musculatura, que atua como uma rede de sustentação para órgãos como útero, bexiga e intestino, pode enfraquecer e perder a capacidade de coordenar com o abdômen e a coluna.

Além disso, a diástase abdominal — o afastamento dos músculos do abdômen, comum após a gravidez mas que também pode ocorrer em mulheres que não foram mães — contribui significativamente para o problema. Um abdômen enfraquecido e com diástase compromete a estabilidade do core, essencial para o controle pélvico e para a prevenção da incontinência. A especialista compara o corpo a uma casa: se o chão (assoalho pélvico) e as paredes (abdômen) estão comprometidos, a estrutura (coluna) e a funcionalidade ficam desorganizadas.

Fortalecimento Específico: O Caminho para a Recuperação e Performance

A boa notícia, segundo Gizele, é que a incontinência urinária tem prevenção e tratamento eficazes através de exercícios específicos. Ela enfatiza que não basta fazer abdominais tradicionais ou prancha, pois esses exercícios muitas vezes não ativam as camadas mais profundas e a coordenação necessária.

Entendendo a Ativação do Core e Assoalho Pélvico

Gizele Monteiro utiliza a analogia do "zíper" para ensinar a ativação correta: imaginar um zíper que sobe desde o períneo até o umbigo, contraindo o assoalho pélvico e o abdômen profundo simultaneamente. Essa contração deve puxar o umbigo para dentro sem prender a respiração no abdômen, focando na respiração torácica.

Dois exercícios práticos essenciais são:

  1. Contração e Relaxamento: Contrair a musculatura do assoalho pélvico (como se estivesse segurando o xixi) e, ao mesmo tempo, ativar o "zíper" abdominal, puxando o umbigo para dentro. Realizar 2 a 3 séries de 5 a 10 repetições.
  2. Contração Sustentada: Contrair o assoalho pélvico e ativar o "zíper" abdominal, mantendo a contração por 5 a 10 segundos. É crucial manter a respiração normal, sem prender o ar. Realizar 2 a 3 séries.

Esses exercícios, que podem parecer simples, exigem consciência corporal e são fundamentais para restaurar a força e a coordenação. As pacientes de Gizele relatam melhorias significativas em apenas cinco dias, incluindo a redução da frequência urinária noturna e a eliminação de escapes durante atividades.

A Importância da Abordagem Multidisciplinar

Gizele reforça a importância de uma equipe multidisciplinar. Enquanto fisioterapeutas tratam a disfunção com técnicas e equipamentos específicos, profissionais de educação física especializados, como ela, trabalham a performance e a manutenção, garantindo que a atleta continue treinando sem recorrência do problema. Em casos mais graves, ou após traumas pélvicos no parto, a associação da fisioterapia é indispensável.

Impacto na Performance e a Importância de Buscar Ajuda

Ignorar a incontinência urinária traz uma série de consequências negativas para a vida da atleta, conforme estudos e a experiência de Gizele:

  • Redução de performance: O medo de escapes leva à diminuição da intensidade dos treinos e da velocidade.
  • Medo de competir: Muitas evitam provas por vergonha.
  • Vergonha e isolamento: O problema, muitas vezes silenciado, leva ao isolamento social.
  • Abandono do esporte: A frustração e o constrangimento podem fazer com que a atleta desista de suas atividades.
  • Diminuição da qualidade de vida: Afeta a saúde sexual, física e emocional.

Bruna Mahn compartilha sua experiência pessoal e ressalta como o fortalecimento do core e do assoalho pélvico é vital, não apenas para evitar a incontinência, mas também para a melhora da performance em esportes como o ciclismo, onde o controle da bike depende da estabilidade do quadril e do centro do corpo. A ativação correta pode trazer mais leveza na corrida e uma respiração mais eficiente.

É fundamental que as atletas não normalizem a perda de urina e busquem ajuda especializada. Iniciativas como o "Desafio Diástase Zero" de Gizele Monteiro, disponível em seu Instagram, oferecem um ponto de partida acessível para começar a jornada de recuperação e empoderamento.

A incontinência urinária é um desafio que tem solução. Ao desmistificar o problema e oferecer ferramentas práticas, Gizele Monteiro e a Stemma Performance convidam as atletas a investirem na saúde pélvica e abdominal, garantindo não apenas a recuperação, mas também um salto na performance e na qualidade de vida. Você não está sozinha, e a melhora é possível. Invista no seu core e conquiste a sua melhor versão dentro e fora dos treinos.

PUBLICIDADE (GAM) — 1250x250

Mais de @stemma