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Gabriel Ganme: do mergulho extremo às ultramaratonas

Médico do esporte relembra transição de carreira, superação de lesões e a rotina de provas na montanha aos 66 anos.

No XTREMMA Sports com Shubi Guimarães, o médico Gabriel Ganme conta como trocou a pediatria e o mergulho em cavernas pelas ultramaratonas de montanha.

No episódio do XTREMMA Sports, a apresentadora Shubi Guimarães recebe o médico do esporte e ultramaratonista Gabriel Ganme. Em uma conversa franca e cheia de histórias, Ganme repassa sua trajetória de vida: a infância ativa incentivada pelo pai, os anos no espeleomergulho, as cirurgias articulares e a paixão tardia pelas corridas de montanha, servindo de inspiração para a longevidade esportiva.

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Infância e os primeiros contatos com esporte e medicina

Nascido em uma família com forte tradição na medicina, Gabriel cresceu vendo o pai e os tios atuarem na área da saúde. Ao mesmo tempo, para combater o sedentarismo dos filhos, seu pai o matriculou no Clube Monte Líbano, onde participou do Plano de Integração Esportiva (PI). Essa vivência multiesportiva — passando por tênis, surfe e futsal — construiu a base motora que o acompanharia por toda a vida, reforçando a visão de que a variedade e o prazer na infância são essenciais para formar adultos saudáveis.

Gabriel Ganme: do mergulho extremo às ultramaratonas

Da pediatria às aventuras no mergulho extremo

Embora tenha concluído a residência em pediatria em hospital público, Ganme se desiludiu com as carências estruturais da área e decidiu não exercer a profissão. Apaixonado pelo mar, tornou-se instrutor de mergulho e passou a explorar cavernas submarinas (espeleomergulho) no norte da Flórida. A atividade de altíssimo risco e o transporte de equipamentos de até 70 kg fora d'água cobraram seu preço físico e emocional. Após resgatar o corpo de um ex-aluno e passar por situações de risco, encerrou a fase das cavernas, migrando temporariamente para a condução de grupos em expedições de mergulho com tubarões pelo mundo.

Medicina hiperbárica, artrose e a medicina esportiva

Buscando unir suas paixões, especializou-se em medicina hiperbárica e começou a lecionar medicina do mergulho na Escola Paulista de Medicina (Unifesp). Quando recebeu o diagnóstico de artrose precoce no quadril e ouviu de um especialista que deveria usar muletas e abandonar os esportes, buscou uma segunda opinião, colocou próteses e voltou a se movimentar. Essa experiência moldou sua conduta na medicina do esporte: manter o paciente ativo e buscar adaptações funcionais, evitando sentenças que afastem o indivíduo do exercício.

Sedentarismo infantil e o impacto da falta de movimento

Em um diálogo com Shubi, que também atua como pedagoga, Gabriel debate os perigos do estilo de vida contemporâneo para as crianças. O excesso de telas, a falta de contato com a natureza e a escassez de aulas estruturadas de educação física têm gerado jovens com déficit de coordenação motora, perda de força funcional e risco aumentado de síndrome metabólica precoce. Ambos defendem o resgate de brincadeiras ao ar livre e esportes variados na formação infantil.

A entrada no trail running e superações no El Cruce

O ingresso nas corridas de montanha aconteceu por volta de 2018, impulsionado por um projeto de mestrado sobre hipóxia e altitude. A convite do atleta Rafael Campos, Ganme participou da prova Origen, no Chile, e se encantou pelo ambiente do trail running. Aos 62 anos, com duas próteses de quadril, encarou o tradicional El Cruce de 2022 apenas três meses após operar uma hérnia de disco e estenose lombar de emergência, além de enfrentar o luto recente pela perda do pai. Mesmo com nevasca e contraturas musculares, completou os três dias de prova.

Desafios de quilometragem, corte de álcool e longevidade

Com 66 anos completados, Gabriel estabeleceu a meta pessoal de somar centenas de quilômetros em provas de montanha ao longo da temporada. Para sustentar a alta quilometragem sem lesões graves, cortou totalmente o consumo de bebidas alcoólicas, priorizou a qualidade do sono e a disciplina alimentar. Por fim, o médico e a apresentadora ressaltam a importância do monitoramento cardíaco preventivo no endurance, alertando para arritmias e reforçando que exames de rotina são indispensáveis para quem busca longevidade no esporte.

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