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Como Gabriel Ganme superou cirurgias para correr o El Cruce

Médico do esporte relata a transição do asfalto para as montanhas, a cirurgia na coluna e o desafio na prova dos Andes.

O médico do esporte Gabriel Ganme compartilhou no XTREMMA Sports sua trajetória de transição do asfalto para as corridas de montanha. Entre pesquisas sobre altitude, próteses de quadril e uma cirurgia na coluna, ele superou limites para completar o icônico El Cruce de Los Andes.

A transição das ruas para as trilhas costuma acontecer por caminhos inusitados, mas a história de Gabriel Ganme traz uma combinação ímpar de pesquisa científica, teimosia atlética e superação médica. Acostumado a provas de asfalto e meias maratonas, o médico do esporte ingressou no universo do trail running por causa de seu mestrado na Escola Paulista de Medicina, onde estudava fisiologia de altitude em câmara hiperbárica.

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Da pesquisa acadêmica à primeira prova nos Andes

Em busca de atletas para avaliar a queda do consumo de oxigênio a 4.000 metros de altitude, Ganme conheceu Rafael Campos, organizador da prova Origen, disputada em Portillo, no Chile. Para coletar dados dos corredores que atingiriam o Cristo Redentor dos Andes, o médico decidiu se inscrever na distância menor do evento — 36 km divididos em três etapas de 12 km.

A estreia nas montanhas foi no estilo mais rústico possível. Sem técnica prévia e carregando bastões recém-comprados que mal sabia manusear, Ganme enfrentou o terreno andino e se encantou com a solidariedade e a dinâmica do trail. Pouco tempo depois, encarou os 25 km da Indomit Mendoza e começou a somar quilômetros em provas nacionais, como a KTR em Passa Quatro, conciliando o esporte com a rotina profissional.

Como Gabriel Ganme superou cirurgias para correr o El Cruce

Próteses de quadril, cirurgia na coluna e recuperação recorde

O desafio de Ganme nas montanhas carrega um histórico ortopédico impressionante: ele compete tendo duas próteses de quadril. No entanto, o maior obstáculo surgiu a apenas três meses de disputar o El Cruce, famosa prova de estágios de cerca de 100 km que cruza a Cordilheira dos Andes.

Uma hérnia de disco associada a uma estenose severa de canal vertebral provocou perda de sensibilidade nas pernas e dores agudas, exigindo uma cirurgia de urgência na coluna. Contrariando os prazos convencionais de recuperação — e sob acompanhamento do cirurgião Michel Canas, que levou o caso ao Congresso Mundial da Coluna —, Ganme já caminhava longas distâncias na primeira semana pós-operatória e voltou a trotar com trinta dias, mantendo o objetivo de alinhar na largada.

A prova mais desafiadora: o El Cruce de 2022

Além da recuperação física relâmpago, o médico enfrentou um forte abalo emocional com o falecimento de seu pai apenas dez dias antes da viagem. Incentivado por amigos a honrar a memória de quem sempre estimulou sua vida esportiva, Ganme embarcou para a Patagônia e alinhou na edição de 2022 do El Cruce.

A prova reservou condições extremas no último dia, com nevasca e baixa visibilidade na montanha. Sem experiência no uso de navegação por GPS em relógio, Ganme e o companheiro de trilha Marcelo erraram o trajeto seguindo outros competidores e acabaram correndo quatro horas a mais, acumulando quase nove horas de esforço contínuo. Apesar da exaustão e das dores lombares decorrentes do tempo de exposição, ele cruzou a linha de chegada pouco antes do corte, consolidando sua paixão definitiva pelas ultras de montanha.

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