Fisioterapia no Triathlon: Prevenção, Recuperação e Alta Performance
Descubra como a fisioterapia esportiva é sua aliada essencial para evitar lesões e otimizar resultados no triathlon.
Neste episódio do Café com Tri, os anfitriões Sérgio Magalhães e Beto Nitrini recebem o fisioterapeuta Alexandre Steingraber para desvendar o papel da fisioterapia no ciclo de treinamento do triatleta. O papo aborda desde a trajetória de Alexandre no esporte até as técnicas mais modernas para prevenção e recuperação de lesões, garantindo que você viva sua melhor versão sem interrupções.
No Café com Tri, o seu programa favorito da Stemma Sports, os anfitriões Sérgio Magalhães e Beto Nitrini (na ausência bem-humorada de Wagner Spadotto) receberam Alexandre Steingraber, fisioterapeuta esportivo com mais de 17 anos de experiência, para um bate-papo descontraído e informativo. O tema central foi o papel crucial da fisioterapia na prevenção, recuperação e performance de atletas, especialmente no triathlon.
A Trajetória de um Fisioterapeuta Atleta
Alexandre Steingraber compartilhou sua própria jornada, que começou na natação competitiva em clubes como Pinheiros e Hebraica, nadando provas de 100m e 200m peito e 50m livre. Ao perceber que as Olimpíadas não seriam seu destino, migrou para a fisioterapia, combinando sua paixão por esportes com a área da saúde. Sua primeira experiência profissional foi como estagiário na Companhia Atlética, um ícone fitness em São Paulo. Foi lá que descobriu o mundo do triathlon e das corridas de aventura, inspirando-se em atletas como Cris Carvalho e até mesmo a Shubi Guimarães (do XTREMMA Sports). Essa imersão no meio esportivo, treinando e convivendo com atletas, permitiu a Alexandre um entendimento profundo das dores e necessidades dos seus futuros pacientes, muitos dos quais se tornaram amigos de treino, como o próprio Beto Nitrini.
A Evolução da Fisioterapia Esportiva: Do Tratamento à Prevenção
Alexandre destacou a mudança no papel do fisioterapeuta: de um profissional procurado apenas após a lesão para um aliado essencial no dia a dia do atleta. Ele ressalta que 80% de sua agenda é dedicada à prevenção, um indicativo do aumento da consciência dos atletas amadores. A fisioterapia moderna atua como parte de uma equipe multidisciplinar, ao lado de técnicos, nutricionistas e médicos, garantindo que o cuidado com o corpo esteja alinhado à planilha de treinos.
Um Arsenal de Técnicas e Tecnologia
Com uma formação abrangente que inclui medicina chinesa (com certificação na China), quiropraxia e terapia manual, Alexandre enfatiza a importância de ter um leque de opções. Ele compara a fisioterapia a uma caixa de ferramentas, com gavetas para diferentes abordagens. Ele esclarece que a medicina chinesa vai muito além da acupuntura, incluindo ventosas e auriculoterapia.
Para otimizar o diagnóstico e tratamento, sua clínica investe em tecnologia avançada, como a termografia clínica (que detecta pontos de inflamação pelo calor) e o ultrassom de imagem portátil (para avaliar lesões musculares em tempo real).
Entre as técnicas mais eficazes, Alexandre destaca:
- Onda de Choque: Sua “queridinha” para tratar lesões crônicas como tendinite e bursite, promovendo a regeneração dos tecidos.
- Eletroacupuntura: Altamente eficaz para analgesia e relaxamento de musculaturas profundas, como piriforme e posterior de coxa.
- Terapia Manual: Considerada a “cereja do bolo”, é essencial para soltura muscular e liberação estrutural ao redor da lesão, complementando os tratamentos tecnológicos.
Lesões Comuns no Triathlon: Identificação e Estratégias
O bate-papo explorou as lesões mais frequentes em cada modalidade do triathlon:
Corredores: Joelhos, Canelas e Pés
Para a corrida, as lesões mais comuns são a síndrome da banda iliotibial, tendinite patelar, canelite e fascite plantar. A fascite plantar, em particular, é frequentemente ligada à falta de alongamento da fáscia, tênis com pouco amortecimento e até mesmo sobrepeso. Alexandre alerta para a delicadeza de mudar a biomecânica da corrida ou a pisada; a menos que haja uma lesão crônica, nem sempre é necessário intervir, pois o corpo se adapta. Fortalecimento específico é crucial para evitar problemas como a panturrilha crônica, um desafio enfrentado por muitos, incluindo Fabio Barbag.
Ciclistas: Quadril e Cervical
No ciclismo, as lesões de quadril são prevalentes em mulheres, muitas vezes relacionadas a fraquezas no glúteo médio, core e assoalho pélvico, especialmente após a gestação. A cervical também é um ponto crítico, principalmente com o uso do clip nas bicicletas de triathlon. A posição aerodinâmica exige fortalecimento da musculatura profunda do pescoço e paravertebrais, reforçando a importância de um bike fit adequado, como já discutido no programa com Ryan Cordeiro.
Nadadores: O Desafio dos Ombros
A natação tem o ombro como seu calcanhar de Aquiles. Lesões no manguito rotador (como supra e infra-espinhoso) são comuns devido à natureza suspensa da articulação do ombro e aos movimentos overhead que estressam ligamentos e musculaturas. A falta de fortalecimento adequado e até mesmo características genéticas (como a forma do acrômio) podem predispor atletas a essas lesões.
O Papel Central do Core
Independentemente da modalidade, o fortalecimento do core e da musculatura profunda surge como um denominador comum na prevenção de lesões. Sérgio Magalhães ressaltou os benefícios da calistenia para essa finalidade, enquanto Alexandre reforça que muitos praticantes de musculação focam apenas nos exercícios básicos, negligenciando os estabilizadores e a musculatura profunda, que são a base de um corpo resistente.
Otimizando a Recuperação: Alongamento, Mobilidade e Ferramentas
Alongamento vs. Mobilidade: Quando e Como
Alexandre esclareceu a diferença entre alongamento e mobilidade. A mobilidade (ex: rotações de quadril, tronco, braços) deve ser feita antes do treino para aquecer as articulações. Já o alongamento, focado na amplitude de movimento, não é recomendado logo após treinos intensos, pois a musculatura já está estressada e pode haver risco de lesão. O ideal é reservar um dia da semana para uma sessão de alongamento mais longa (20-30 minutos), preferencialmente após a musculação ou em dias de descanso.
Ferramentas de Recuperação em Casa: Uso Consciente
Para o kit básico de recuperação em casa, Alexandre sugere: um elástico, uma bolinha de massagem e um rolinho de liberação (foam roller). As pistolas de massagem (Theragun e similares) são eficazes, mas devem ser usadas com moderação e técnica correta (seguindo o sentido da musculatura), nunca forçando em um mesmo ponto por muito tempo. Ferramentas mais avançadas, como as botas de compressão ou o Compex (eletroestimulador), exigem conhecimento técnico para evitar o uso inadequado que pode, inclusive, prejudicar a recuperação ou causar lesões. A regra de “quanto mais forte, melhor” não se aplica, e a orientação de um profissional é indispensável.
Sauna e Gelo: Aliados Estratégicos na Recuperação
A sauna (a vapor, seca ou infravermelha) e as banheiras de gelo (crioterapias) são ferramentas valiosas. A sauna é recomendada para relaxamento, melhora da circulação e até adaptação térmica (como para provas em climas quentes, como Kona). Estudos recentes mostram benefícios da sauna infravermelha para a cognição e prevenção de doenças mentais. Quanto ao gelo, Alexandre recomenda seu uso estratégico após treinos longos e intensos (um “longão”), mas não para todas as sessões. A vasoconstrição causada pelo gelo pode inibir o processo inflamatório natural do corpo, que é fundamental para a adaptação e hipertrofia muscular. O protocolo ideal é de 10 minutos a 10 graus Celsius. O uso excessivo ou em momentos errados pode ser contraproducente. Em termos de saúde mental e controle da respiração, o gelo tem um impacto positivo, mas para a recuperação física, a moderação e o timing são chave.
Para finalizar, Alexandre reforçou a mensagem de que a fisioterapia preventiva é um investimento essencial na longevidade e sucesso esportivo. Não espere a dor chegar; faça dela uma parte proativa de sua jornada. Você pode encontrar Alexandre e sua equipe na Clínica AS (@clinicas.multi no Instagram), com duas unidades no Brooklyn, em São Paulo, uma delas dentro da Companhia Atlética da Kansas.