Fellipe Santos projeta 70.3 São Paulo e Mundial de Kona
De volta após sete meses sem competir, triatleta detalha gestão de lesões, disputas no amador e foco para o Havaí.
Em entrevista nos bastidores do Ironman 70.3 São Paulo, Fellipe Santos aborda o retorno às competições após sete meses de pausa e a reta final de preparação para Kona. O treinador e criador de conteúdo discute o manejo da densidade óssea, a força do pelotão amador e seus planos para a temporada.
Após um intervalo de sete meses sem competir no Brasil — desde as provas de Curitiba e do Ironman da África do Sul —, Fellipe Santos voltou ao circuito no Nubank Ultravioleta Ironman 70.3 São Paulo. Mesmo ciente de que a etapa paulistana exigia cautela em relação ao ciclo de treinos para o Mundial de Ironman em Kona, a vontade de reencontrar a comunidade e estar ao lado dos alunos da assessoria FS pesou na decisão de alinhar na largada.
Gestão de lesões e adaptação fisiológica
A rotina de treinos de Fellipe é moldada por uma particularidade física descoberta há cerca de dois anos: uma densidade óssea abaixo da média para a sua faixa etária. Essa condição genética eleva a propensão a fraturas por estresse no impacto da corrida, o que exigiu uma reestruturação estratégica completa de suas cargas semanais.
Para contornar essa fragilidade mecânica sem perder a capacidade cardiovascular, a solução foi transferir o volume aeróbico majoritariamente para a natação e o ciclismo. Ao economizar a rodagem na corrida e priorizar esteira e mobilidade quando há desconfortos, Fellipe mantém o condicionamento em alta sem sobrecarregar a estrutura óssea na transição para provas longas.
Disputa acirrada e rivalidade no pelotão amador
O Ironman 70.3 São Paulo reuniu um grid amador de altíssimo nível. Entre os principais nomes citados por Fellipe estão Denis, ex-treinador de sua equipe que vive grande fase na bike, Diego Arantes, detentor da melhor corrida amadora no Ironman Brasil com a marca de 2h37, e Vini Belo.
Fellipe destacou que rivalidades saudáveis e narrativas competitivas servem como combustível psicológico na largada, mas frisou a relevância de uma disputa justa. O cumprimento das regras de vácuo pelo pelotão de ponta amador é visto como o fator primordial para que o resultado final reflita com fidelidade o mérito de cada atleta no asfalto.
Produção de conteúdo e conexão com o amador
Além da performance pessoal, Fellipe consolidou uma das maiores presenças digitais do endurance brasileiro. Para ele, o ponto de virada na carreira como criador de conteúdo ocorreu ao assumir a responsabilidade direta pelos resultados e construir uma comunicação genuína, afastando o papel de vitimização.
Como treinador de uma assessoria expressiva, a convivência com as rotinas de atletas não profissionais mudou sua percepção sobre o esporte. A superação de pessoas comuns em busca de completar um Ironman passou a ser o verdadeiro centro de gravidade da modalidade, superando em alcance o interesse exclusivo pela alta performance profissional.
Reta final para Kona e planos futuros
Nas doze semanas anteriores à prova, Fellipe manteve uma média de 13 horas e meia de treino semanal no TrainingPeaks, ajustando a rotina entre compromissos familiares e viagens. O foco primordial no Havaí é buscar o melhor desempenho possível na categoria de idade, reconhecendo o abismo técnico atual em relação aos profissionais de elite mundiais.
Para a sequência do calendário, a presença no Ironman Brasil em Florianópolis no ano seguinte foi descartada devido a um compromisso familiar pessoal: o casamento de sua irmã em Maiorca. O plano do atleta é direcionar as atenções para uma sequência completa de eventos 70.3 no primeiro semestre, passando por Panamá, Punta del Este, Curitiba e Brasília.