Edu Modenez: Trajetória, Maratona Aquática e o Sonho do Canal da Mancha
Um bate-papo inspirador com Edu Modenez, treinador e atleta que moldou a história das águas abertas no Brasil e mira a revanche no Canal da Mancha.
Neste episódio do podcast Natação Stemma, os hosts Samir Barel e Wanderley Santos recebem Edu Modenez para uma conversa profunda sobre sua jornada. Ele compartilha a evolução da maratona aquática no país, sua filosofia como técnico e os desafios de uma vida dedicada à natação. O episódio também aborda sua experiência na tentativa de cruzar o Canal da Mancha e os planos para uma nova empreitada.
No podcast Natação Stemma, os experientes hosts Samir Barel e Wanderley Santos recebem uma lenda das águas abertas: Edu Modenez. Com uma trajetória de mais de 30 anos no esporte, Edu compartilha insights valiosos sobre sua carreira como nadador e técnico, a evolução da modalidade no Brasil e seu ambicioso objetivo de conquistar o Canal da Mancha.
Uma Carreira que Mergulha Fundo na Natação
A jornada de Edu Modenez nas piscinas começou cedo, aos seis anos, na Ceme em São Paulo. Após uma pausa para trabalhar e explorar a paixão pela música (inclusive como contrabaixista de uma banda de rock!), Edu retornou à natação e à educação física aos 24 anos. Sua entrada no Círculo Militar como salva-vidas marcou o início de sua imersão nas águas abertas, modalidade pela qual se apaixonou e onde conheceu o lendário treinador João Luiz, que já estava há anos no clube. Essa fase foi crucial para moldar o atleta e futuro técnico.
Em 1998, Edu iniciou um projeto de águas abertas na antiga Raia 4, hoje Fort Fit, formando um grupo de nadadores que se beneficiou da retenção e do engajamento que a modalidade proporcionava. Em 2010, após anos de sucesso e sentindo a necessidade de expandir e ter mais liberdade criativa, Edu Modenez fundou sua própria assessoria, a "Edu Modenez Águas Abertas", que celebra 16 anos de existência e sucesso.
Profissionalismo Acima do Comercial
Questionado pelos hosts sobre os desafios de gerenciar uma assessoria, Edu destaca que seu segredo é ser “mais profissional do que comercial”. Ele prioriza a qualidade do treino e o desenvolvimento do atleta acima de tudo, mesmo que isso signifique limitar o número de alunos por raia para garantir a excelência. Sua filosofia é de disciplina e seriedade, buscando o melhor resultado para cada nadador, desde o iniciante ao avançado. Ele enfatiza que o apoio das academias aos treinadores é crucial para a retenção de alunos, uma visão que, felizmente, vem crescendo ao longo dos anos.
A Evolução das Águas Abertas: Do Raiz ao Moderno
Edu relembra os tempos mais “raiz” da maratona aquática, quando as provas eram realizadas em rios como o Paraíba do Sul, com condições rústicas e pouca estrutura. Ele descreve a dificuldade de nadar em locais remotos, sem apoio adequado, onde os competidores iam de ônibus coletivo, muitas vezes em sunga, e a alimentação era improvisada. As competições eram organizadas pela FAP (Federação Aquática Paulista), e a modalidade era vista como de “segundo escalão” pelos nadadores de piscina. A falta de tecnologia, como GPS e previsões meteorológicas precisas, tornava cada prova uma verdadeira aventura. Hoje, o cenário é completamente diferente, com muito mais segurança, estrutura e reconhecimento.
A Conquista da 14 Bis
Entre suas conquistas como nadador, Edu orgulha-se de ter sido campeão da Travessia 14 Bis logo em sua primeira participação. A 14 Bis, uma prova emblemática de ultradistância, é para muitos o “Everest brasileiro” da natação, um objetivo que a maioria dos nadadores de águas abertas almeja. Edu completou a prova cinco vezes, refletindo sobre as condições variadas que podiam alterar o tempo de conclusão em até duas horas, devido às correntes e marés. Ele também detém um troféu de “Técnico de Ouro” da faculdade Casper Líbero e uma medalha especial de “Melhor Atleta do Ano” do Círculo Militar, entregue por seu técnico, João Luiz.
O Canal da Mancha: Um Desafio Pessoal e uma Nova Tentativa
Considerando o Canal da Mancha como o “Everest” da natação mundial e a única travessia que faltava em sua carreira na época, Edu Modenez tentou cruzá-lo em 2022. Apesar de ter nadado 50 km em 14 horas e 21 minutos, as fortes correntezas e alguns problemas físicos, como a dificuldade de urinar e a fraqueza por falta de treinamento específico de força, o impediram de completar a travessia. Ele revela ter se subestimado na preparação, não dando a devida importância a aspectos como a musculação e a adaptação à água gelada (16,5 graus Celsius).
Apesar da frustração, Edu não desistiu. Ele já está inscrito para uma nova tentativa em 2028. Desta vez, sua preparação será diferente: dedicará mais tempo, focará na musculação e em tudo que não fez na primeira vez, alterando sua rotina para enfrentar o desafio com a seriedade que ele exige. Para Edu, o Canal da Mancha é o teste final de sua paixão e persistência na natação.
O bate-papo se encerra com a convicção de que, assim como o “Canal da Mancha” é o desafio máximo para ele, uma prova de 1 km pode ser o grande objetivo para um iniciante. O importante é a dedicação e a mudança de rotina para alcançar qualquer meta. Edu Modenez é um exemplo vivo de como treinar, competir e inspirar são os pilares de uma vida dedicada ao esporte, sempre buscando sua melhor versão e a de seus atletas. Seu compromisso com a qualidade e a paixão pela natação continuam a transformar vidas, dentro e fora da água.