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Cláudio Castilho: CBAt, Atletismo Brasileiro e Cenário da Corrida

O CEO da CBAt, Cláudio Castilho, revela os bastidores do atletismo nacional e a evolução da corrida de rua no Brasil.

Em um episódio especial do Stemma Podcast, Cláudio Castilho, Diretor Executivo da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), compartilha sua vasta experiência. Ele detalha os projetos atuais da Confederação, o desenvolvimento de atletas e a história do esporte no país. Uma visão aprofundada sobre a gestão do atletismo e o cenário atual da corrida de rua.

No Stemma Podcast, Fabio Bessa e Thiago Kawamura recebem Cláudio Castilho, Diretor Executivo da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt). Com uma carreira impressionante no esporte, Castilho aborda os desafios e as conquistas do atletismo nacional, desde a gestão da CBAt até a evolução da corrida de rua e a formação de talentos.

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A Gestão da CBAt e Seus Pilares

Cláudio Castilho, que assumiu o compromisso com a CBAt em março de 2021, descreve sua dedicação total à entidade. A governança da Confederação é baseada em uma Assembleia Geral plural, composta por 70 membros, incluindo presidentes de federações, atletas e representantes de clubes e arbitragem. O Presidente é eleito a cada quatro anos e tem a prerrogativa de escolher o Diretor Executivo.

A função principal de Castilho é a execução do planejamento estratégico da CBAt, que inclui a elaboração, submissão e aprovação de planos e projetos, além da supervisão de uma equipe de 46 colaboradores. Nenhum investimento é feito sem estar vinculado a um projeto aprovado pelo conselho e pela assembleia geral.

Cláudio Castilho: CBAt, Atletismo Brasileiro e Cenário da Corrida

Entre os principais projetos atuais, destacam-se:

  • Programas de Apoio a Atletas: Destinados a atletas em desenvolvimento e de alto rendimento, com diferentes níveis de suporte financeiro, de viagem e participação em camps e competições internacionais. Cerca de 146 atletas são atendidos, visando dar o "salto de qualidade" necessário.
  • Campeonato Brasileiro de Corrida de Rua: Lançado este ano, o campeonato tem etapas regionais nas cinco regiões do Brasil, culminando em uma grande final. Os melhores classificados se qualificam para o Mundial de Corrida de Rua em Copenhague, Dinamarca. O objetivo é ser um modelo inclusivo, que "dê luz a todas as regiões" e descubra novos talentos, apoiando atletas com dificuldades financeiras ou logísticas.
  • Fomento ao Atletismo: Através de 82 Centros de Formação de Atletismo (CFAs) espalhados pelo Brasil, a CBAt apoia a descoberta e o desenvolvimento de talentos entre 6 e 18 anos, atendendo quase 9.000 crianças. O apoio inclui recursos e capacitação profissional para os treinadores.
  • Representação Institucional: A CBAt mantém uma relação próxima com esferas governamentais (municipal, estadual, federal) para promover políticas públicas e acessar recursos para o desenvolvimento do esporte, sempre com responsabilidade e prestação de contas.

A Revitalização da Pista do Ibirapuera

Um marco importante é a reforma da pista de atletismo do Ibirapuera, que estava sem uso para eventos desde 2014. Após uma mobilização popular e o tombamento do espaço, a CBAt integrou um grupo de trabalho para a construção do projeto executivo de restauração. A pista será a única com nove raias da América do Sul, completamente adequada às normas atuais do atletismo mundial. A inauguração e o retorno do Troféu Brasil de Atletismo, em julho, prometem um evento histórico na "casa do atletismo brasileiro".

Uma Carreira Dedicada ao Atletismo

Cláudio Castilho compartilha sua trajetória, que começou com a ambição de ser olímpico, não como atleta, mas como treinador. Sua passagem pelo Esporte Clube Pinheiros, onde ficou por 24 anos, foi fundamental. Ele liderou a retomada do atletismo no clube, transformando-o da 29ª para a terceira posição no ranking de equipes, apostando em atletas e buscando apoio externo. Esse modelo de sucesso foi expandido para as 16 modalidades olímpicas do Pinheiros, que em 2019 teve seu ano de maior vitória histórica.

A filosofia de Castilho sempre envolveu o estudo contínuo, tanto em áreas técnicas (fisiologia, treinamento) quanto em gestão e desenvolvimento humano. Ele salienta a importância de "entender de gente" para lidar com atletas amadores e profissionais.

Formação de Treinadores: Níveis da World Athletics

Castilho detalha os níveis de capacitação de treinadores da World Athletics (WA), do Nível 1 (iniciante) ao Nível 4 (olímpico). Para avançar nos níveis, são exigidos pré-requisitos como atletas campeões nacionais ou rankeados internacionalmente. Ele mesmo é um dos poucos treinadores brasileiros de Nível 4, destacando a necessidade de incentivar mais treinadores a alcançarem esse patamar.

Atletas Profissionais vs. Amadores: Uma Análise Comportamental

Cláudio Castilho traça paralelos e diferenças entre atletas profissionais e amadores. Ambos enfrentam objetivos, percalços e angústias, mas a grande distinção está na resiliência e na capacidade de solucionar problemas com foco no resultado, independentemente dos obstáculos. Ele cita exemplos como Caio Bonfim e Alison dos Santos (Piu), cuja persistência e determinação os levaram a resultados de destaque, muitas vezes superando decepções.

Para atletas de alto rendimento, o desafio não é apenas atingir um resultado, mas repeti-lo e mantê-lo, o que exige dedicação e sacrifício. Para os amadores, Castilho enfatiza a necessidade de ajustar expectativas e, por vezes, "dizer mais nãos do que sims" para evitar frustrações, dada a tendência de buscar objetivos irrealistas sem a devida preparação.

Ele expressa apreensão com o cenário atual do atletismo de fundo brasileiro, que tem visto os resultados se distanciarem do patamar mundial. Castilho ressalta a importância de atletas e treinadores arriscarem e ousarem mais, como fez com Adriana Silva para bater o recorde brasileiro da maratona em 2012, buscando camping de altitude e competições internacionais sem garantia de apoio. A cultura do mérito e a busca por talentos são cruciais para reverter essa tendência.

O Fenômeno da Corrida de Rua no Brasil

Cláudio Castilho relembra o crescimento da corrida de rua no Brasil, desde os anos 80, quando corredores eram vistos como "doidinhos". Nos anos 90, com a popularização do treino coletivo, o movimento ganhou força, especialmente em locais como a USP e o Parque Ibirapuera.

Em 2000, Castilho liderou a criação da Associação dos Treinadores de Corrida (ATC) para organizar o segmento, que já enfrentava desafios com o aumento de praticantes. Ele foi presidente da ATC por dois mandatos, de 2000 a 2006. Hoje, a corrida de rua é um fenômeno de massa, com o Brasil sendo um mercado que "gera tendência" para a indústria esportiva global.

Ao final, Cláudio Castilho reitera a paixão por seu trabalho, a importância de compartilhar informações de qualidade e boas histórias para motivar e ensinar. Com 57 anos, e 46 deles dedicados ao atletismo, ele continua ativo e comprometido com o desenvolvimento do esporte no Brasil.

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