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Carlos Kawall: da alta finança às ultramaratonas e o desafio dos 60+

O economista e sócio-fundador da Oriz Partners compartilha como a disciplina da corrida permeia sua vida profissional e pessoal.

Carlos Kawall, uma figura proeminente no mercado financeiro brasileiro, revela como a corrida e as ultramaratonas se tornaram pilares em sua vida. Ele detalha sua jornada no esporte, superando lesões e retornando às maratonas após os 60 anos. Kawall também compartilha sua visão sobre o crescimento do esporte e sua paixão por vinhos.

Carlos Kawall, conhecido por sua trajetória brilhante no mercado financeiro — com passagens como economista-chefe do Citi e Safra, CFO da B3 e até Secretário do Tesouro Nacional — abriu as portas de sua vida esportiva em um bate-papo com o Stemma Sports. Para ele, a corrida, longe de ser apenas um hobby, é um componente essencial que reorganiza e enriquece sua rotina, oferecendo benefícios que transcendem o aspecto físico e se refletem em sua vida cotidiana.

Apesar de ter iniciado no mundo da corrida mais tarde, aos 40 anos, Kawall fez sua primeira maratona em Nova York no ano 2000, treinando com Vanderlei de Oliveira na Run for Life. Em 2003, correu Paris e, em 2006, alcançou seu melhor tempo na Maratona de Porto Alegre, com 3h25. No entanto, uma série de contusões, incluindo pubalgia, o afastou das maratonas por um longo período, levando-o a focar em meias maratonas, uma distância pela qual nutre especial apreço, por ser desafiadora, mas menos exigente que uma maratona completa.

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A volta por cima e o desafio das ultramaratonas

A partir de 2010, sob a orientação de Marcelo Ortiz, da BR Sports, Carlos Kawall retomou seu treinamento. Ortiz, conhecido por sua abordagem conservadora, só permitiu o retorno às maratonas após Kawall completar quatro meias sem lesões. Em 2019, ele planejou a Maratona de Buenos Aires para 2020, mas a pandemia o forçou a correr uma maratona solo em Ubatuba. O retorno oficial às maratonas aconteceu em 2022, seguido por Porto Alegre em 2023. Foi então que, inspirado por um podcast do Stemma com o ultramaratonista Nato, Kawall decidiu ir além e enfrentar a Two Oceans, uma ultramaratona de 56 km na África do Sul.

A Two Oceans, que ele já correu duas vezes (2023 e 2024), é uma prova espetacular, com largada antes do amanhecer e vistas deslumbrantes do oceano. No entanto, a beleza esconde desafios extremos: subidas íngremes como Chapman's Peak e Constantia Nek, que aparecem após a marca da maratona, exigem uma gestão cuidadosa de energia. O tempo de corte de 7 horas é rigoroso, e Kawall relata a dificuldade de manter o ritmo nos quilômetros finais. A experiência foi tão impactante que ele quis retornar para “fazer a prova direito” no ano seguinte, buscando aprimorar sua estratégia.

Carlos Kawall: da alta finança às ultramaratonas e o desafio dos 60+

Seu próximo desafio será a Maratona de Estocolmo, em 30 de maio, data em que completará 65 anos. Curiosamente, a prova acontece num sábado e tem largada ao meio-dia, uma peculiaridade que ele aguarda para descobrir a razão.

A visão de um economista sobre o mercado esportivo

Carlos Kawall vê um enorme potencial no mercado de corridas no Brasil. Ele destaca que, embora o esporte já movimente bilhões anualmente e conte com 13 a 14 milhões de pessoas correndo semanalmente (7 milhões participando de eventos), o Brasil ainda está bem atrás de mercados como os Estados Unidos. Isso, para ele, sinaliza um vasto espaço para crescimento em serviços como fisioterapia, medicina esportiva e o próprio desenvolvimento de marcas e eventos.

Ele também detalhou sua atual empreitada na Oriz Partners, empresa que co-fundou em 2022. Trata-se de uma gestora de patrimônio que oferece consultoria independente, alinhada aos interesses dos clientes, tanto no Brasil quanto no exterior, atuando de forma semelhante a um family office.

De investidor a viticultor: a paixão por vinhos

Além dos números e das pistas, Carlos Kawall revela uma paixão inesperada: a viticultura. Ele e sua esposa possuem uma propriedade em Mendoza, Argentina, como parte do projeto The Vines of Mendoza, um condomínio vinícola. Lá, eles produzem seu próprio vinho, escolhendo as uvas e participando do processo de vinificação. É um hobby que se encaixa em seu momento de carreira, permitindo-lhe conciliar lazer e um aprendizado profundo sobre o complexo mundo da produção de vinho, um segmento onde a Argentina é referência em enoturismo.

O momento Z2: a superação de uma fratura e a mensagem de persistência

Em um momento de virada, Carlos Kawall compartilhou sua experiência mais desafiadora, um verdadeiro “momento Z2”. Sete semanas antes de correr a Maratona de Buenos Aires em 2022, ele participava da meia maratona da SP City. Num túnel, faltando menos de 4 km para o fim, seu pé travou em um buraco na pista, causando uma queda que resultou em uma fratura da cabeça do úmero (ombro).

Apesar da dor e da frustração, e sem precisar de cirurgia, Kawall não desistiu da maratona. Com o braço lesionado, mas a determinação intacta, ele foi para Buenos Aires. A prova, sem buracos ou imprevistos, foi concluída, marcando o retorno definitivo às maratonas após os 60 anos. Sua mensagem é clara: “Tem que insistir. A gente tem que superar esses momentos. Dá sim, se eu consegui voltar com a maratona depois de 60 anos, estou correndo e não estou me machucando, qualquer um pode.”

A complexidade do Tesouro Nacional: "bronca" e disciplina

Revisitando sua passagem como Secretário do Tesouro Nacional, Kawall explicou de forma didática a complexidade do cargo. Em termos simples, enquanto a Receita Federal cuida da arrecadação, o Tesouro é responsável pela gestão da despesa pública e da dívida. Seu papel, muitas vezes impopular, é o de "ligar a luz na festa", controlando os gastos excessivos do governo para evitar endividamento e suas consequências, como juros altos e aumento de impostos. Uma tarefa que exige tanta resistência quanto uma ultramaratona.

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