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A revolução dos tênis de corrida: a estabilidade morreu?

Rodrigo Roehniss desvenda como a geometria dos tênis neutros revolucionou o mercado e a corrida.

O universo dos tênis de corrida passou por uma transformação notável. Se antes a escolha era ditada por complexas classificações de pisada, hoje modelos neutros dominam. Rodrigo Roehniss explica como a nova geometria desses calçados mudou tudo.

O universo dos tênis de corrida passou por uma transformação notável nos últimos anos. Se antes a escolha era ditada por complexas classificações de pronação e supinação, hoje a paisagem é dominada por modelos neutros. Para entender essa mudança e o que ela significa para os corredores, conversamos com Rodrigo Roehniss, editor de testes e especialista no assunto.

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O fim de uma era: adeus aos tênis de estabilidade tradicionais?

Antigamente, quem entrava em uma loja de artigos esportivos se deparava com uma variedade de tênis segmentados: para supinadores, pronadores, com controle de movimento (motion control) ou super amortecimento (cushion). A preocupação em corrigir a pisada era central, com modelos específicos para cada tipo. No entanto, Rodrigo Roehniss observa que essa complexidade tem diminuído drasticamente no mercado. "Caiu por terra isso, né?", comenta um dos interlocutores durante a conversa, refletindo a percepção de muitos corredores.

Roehniss aponta que cada vez menos se veem tênis específicos de estabilidade. Marcas renomadas, como a Asics, ainda mantêm ícones como o Kayano – que celebra 33 ou 34 edições, marcando seus anos de existência – mas muitos outros modelos de estabilidade leve ou moderada foram retirados de linha. Tênis de estabilidade severa, que beiram o ortopédico e são popularmente chamados de "tijolos de pedra", praticamente não existem no mercado brasileiro devido à falta de demanda, embora ainda tenham consumo em mercados como o americano.

A revolução dos tênis de corrida: a estabilidade morreu?

A revolução geométrica: tênis neutros com estabilidade embutida

A principal razão por trás dessa mudança, segundo Roehniss, reside na estratégia das próprias marcas. Nos últimos 3 ou 4 anos, a indústria tem apostado em uma nova geometria para os tênis neutros. A alteração mais significativa é o alargamento da área de base e do solado, removendo o ângulo de curva onde o arco do pé se apoiava. Essa construção mais ampla confere uma estabilidade intrínseca ao calçado, independentemente de ser classificado como um tênis de estabilidade tradicional.

Com essa nova geometria, um tênis neutro pode agora atender parcialmente corredores com pronação leve ou moderada. A chave está na densidade da entressola: se o tênis não for "extremamente macio e mole" a ponto de torcer demais, mas sim oferecer uma densidade equilibrada, ele consegue proporcionar a estabilidade necessária sem a necessidade de tecnologias adicionais de correção de pisada. Essa demanda por tênis neutros geometricamente estáveis se tornou um fenômeno global, levando muitas marcas a "tirar o pé" da produção de modelos dedicados exclusivamente à estabilidade.

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