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A jornada de Santiago Assunção: do amadorismo à elite do triatlo

A lenda do triatlo brasileiro, Santiago Assunção, revisita sua trajetória, os desafios da profissionalização e a evolução do esporte de alta performance.

Santiago Assunção, ícone do triatlo brasileiro, compartilhou sua rica trajetória com o Stemma Sports. Desde os primeiros pedais em Nerópolis, Goiás, até os pódios no Ironman, ele abordou as dificuldades e triunfos que moldaram sua carreira. Uma conversa inspiradora sobre paixão, consistência e o legado no esporte.

No mais recente episódio do Stemma Sports, em um cenário especial durante o fim de semana do Ironman Brasil, os apresentadores Fábio Bessa e Thiago Canguçu receberam um convidado de peso: Santiago Assunção. Conhecido por sua vasta experiência e história marcante no triatlo, Santiago abriu o jogo sobre sua carreira, desde os primeiros passos até os desafios da vida profissional e o sucesso de sua assessoria, a Santi Treinos.

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Os primeiros pedais em Nerópolis e a descoberta do triatlo

Nascido em Goiânia e criado em Nerópolis, a 40 km da capital goiana, Santiago Assunção começou a pedalar ainda na infância, por volta dos 11 ou 12 anos. O cenário era bem diferente de hoje: a importação de peças era restrita, e a paixão pelas bicicletas era alimentada por revistas como a Tracking e a Bike Sport, que o apresentaram ao mundo do triatlo. Ele se lembra de nomes como Leandro Macedo, Alexandre Manzan e Simon Lessing como suas primeiras inspirações.

A descoberta da Federação Goiana de Triatlo, através de uma reportagem no Globo Esporte sobre uma prova no Clube Jaó, em Goiânia, foi um divisor de águas. "Já fazia natação por causa de um problema de bronquite crônico, tinha a mountain bike para pedalar e correr, bem, correr todo mundo corre, né?" brinca Santiago, descrevendo como percebeu que poderia encarar os desafios do esporte. Sua primeira prova foi um duatlo terrestre, seguido por um triatlo em 1995.

A jornada de Santiago Assunção: do amadorismo à elite do triatlo

Ainda adolescente, com apenas 15 anos, sua paixão o levou a uma aventura inesquecível: pegou um ônibus sozinho de Descalvado (SP) para Santos para assistir ao Triatlo Internacional de Santos de 1996, evento que contava com lendas como Mark Allen, Mike Pigg e Lothar Leder. "Fiquei lá, cara, maravilhado. Tenho uma foto com o King Law, que ganhou aquela prova", recorda.

A transição para o profissionalismo e o apoio do Pão de Açúcar

Aos 16 anos, em 1996, Santiago conquistou o Campeonato Pan-Americano de Triatlo na República Dominicana. A viagem, financiada por uma mobilização da comunidade e um apoio crucial da empresa Kero, representou um ponto de virada. A vitória abriu portas para um patrocínio com a Nestlé local, que lhe rendia 250 reais por mês – um valor significativo na época para um atleta em início de carreira.

Em 1997, já competindo no Troféu Brasil, Santiago enfrentou as dificuldades de alinhar-se com atletas profissionais como Oscar Galindez e Armando Barcelos. Após algumas etapas desafiadoras, ele encontrou seu ritmo e na última etapa do ano, um sprint com Armando Barcelos chamou a atenção de Hélio Takai, agente da equipe de triatlo do Pão de Açúcar. "Foi aí que recebi o convite para integrar a equipe como revelação, ao lado da Gisele Bertutti", conta Santiago, revelando que a oportunidade veio com um salário de mil reais e dez passagens aéreas, "Aí eu falei: agora é comigo!"

enfatiza ele

destacando a importância desse suporte em uma época onde o patrocínio era muito mais difícil de conseguir

sem a facilidade das redes sociais e com o envio de projetos por correio.

Equilibrando o esporte, os estudos e a vida

Santiago passou no vestibular da Federal de Goiás em 2000, e essa decisão de estudar foi crucial. "Naquela época, aos 20 anos, tive que fazer essa escolha: continuar estudando, porque no Brasil, se não tiver formação, você passa fome", explica, diferenciando a realidade brasileira da de atletas estrangeiros que podem se dedicar exclusivamente ao esporte sem o mesmo risco. Em 2002, com mais maturidade esportiva, ele trancou a faculdade por um período e conquistou o Campeonato Troféu Brasil pela primeira vez.

Os desafios do Ironman e as disputas épicas

A transição para as distâncias mais longas, especialmente o Ironman, veio com o tempo. Seu primeiro full Ironman foi em 2009, no Arizona, onde terminou em oitavo lugar com uma maratona de 2h48. Em 2010, fez sua estreia no Ironman Brasil, alcançando um impressionante terceiro lugar, com Luke McKenzie vencendo a prova. "É outro esporte hoje, com muita evolução em equipamentos, nutrição e nos tempos", reflete sobre as mudanças no esporte.

Santiago compartilha duas provas de Ironman que o marcaram profundamente. Em 2012, no Ironman Brasil, ele liderou até o quilômetro 38 da maratona, quando foi ultrapassado por Ezequiel Morales. "Foi duro, era a primeira vez que um brasileiro poderia ganhar o Ironman aqui", relembra, atribuindo parte da dificuldade a uma lesão na panturrilha que o impediu de treinar corrida por um mês antes da prova. Já em 2014, o duelo foi com Igor Amorelli, uma batalha mental e física até o fim. "No km 32, meu quadríceps não aguentava mais. Pedi sal a um amigo na torcida, e no 36, voltei a me sentir bem, mas Igor já havia aberto. Foi traumatizante", confessa, revelando que 2014 foi seu último full Ironman completo.

De atleta a empresário: o sucesso da Santi Treinos

A assessoria Santi Treinos nasceu organicamente em 2005, logo após sua formatura. O primeiro aluno foi Eduardo Custódio, um amigo que o incentivou a aplicar seus conhecimentos. "A coisa foi crescendo de um para outro, até que em 2006, já tínhamos sete atletas para o Ironman aqui", conta. Hoje, a Santi Treinos conta com 10 a 11 treinadores, todos ex-atletas ou profissionais da área.

Santiago atribui o sucesso e a longevidade de sua assessoria à consistência, um valor que aprendeu no esporte. "Desde o momento que me propus a treinar alguém, nunca passou pela minha cabeça: vou dar um tempo, vou aliviar. As coisas foram acontecendo, fui incorporando mais gente", explica. Ele destaca a importância de se reinventar, acompanhar a transição do analógico para o digital e sempre ter uma equipe presente em provas como o Ironman, com uniformes e fotógrafos. "A consistência é inegociável, assim como faço no esporte, que pratico há 32 anos sem interrupções", pontua, revelando que a única vez que tirou férias do triatlo foi por quatro dias em um inverno canadense de -16 graus.

Legado e a evolução do esporte

A paixão de Santiago pelo esporte se reflete em seu filho, Lu, que também está trilhando o caminho do triatlo e planeja se profissionalizar após o Campeonato Mundial de Nice. "É muito legal ver a dedicação dele. Optei por deixá-lo treinar com o coach Frank para separar o papel de pai do de técnico, o que é muito mais fácil agora", compartilha, com orgulho.

Ao analisar a evolução do triatlo, Santiago enfatiza o impacto da tecnologia nos equipamentos, como bicicletas e roupas, e, principalmente, na nutrição. "Em 2006, em um meio Ironman, eu usava 100g de carboidrato em 4 horas. Hoje, alguns usam isso por hora!" Ele explica que a otimização da absorção de carboidratos permite que os atletas treinem e se recuperem melhor, resultando em tempos cada vez mais baixos. "O ser humano é o mesmo, mas o que vem por fora, o que você alimenta, isso mudou muito. E isso melhora a capacidade de fazer mais treinos intensos", conclui.

Aos amadores, Santiago deixa uma mensagem de ouro: "O esporte é para a vida toda. É importante ter leveza e, principalmente, consistência, sem lesões. Quanto mais vezes o atleta estiver na planilha, melhor será o resultado dentro do objetivo dele."

Inovação nos tênis de corrida: Anta Fold H1

No breve giro de notícias, foi destacada a Anta Fold H1, uma inovação da chinesa Anta, a terceira maior marca esportiva de running do mundo. A tecnologia "Anta Fold" utiliza conceitos de engenharia de origami para criar estruturas que se deformam de maneira controlada, buscando melhorar amortecimento, estabilidade e retorno de energia através da geometria da entressola, e não apenas de novos materiais. O modelo é o primeiro a ser equipado com essa tecnologia.

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