Inovação corporativa deve ser sistêmica, afirma Paulo Silveira
Fundador da Bluefields defende que novas soluções devem nascer das áreas de negócio com foco em planos de 90 dias.
Paulo Silveira explica por que a inovação não deve ficar isolada em um departamento específico nas grandes empresas. O fundador da Bluefields detalha métodos práticos, uso de IA e estratégias de quick wins para gerar resultados.
Paulo Silveira, fundador da Bluefields Aceleradora, defendeu, em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, que a inovação nas grandes empresas precisa deixar de ser tratada como um departamento isolado para se tornar uma competência distribuída por todas as áreas de negócio. O episódio completo aborda ainda outros tópicos sobre aceleração e ecossistemas.
Para Silveira, as corporações possuem um potencial subutilizado em suas equipes. "A empresa grande hoje, ela tem um ativo invisível que não tá no PNL, que não tá na DRE, que não tá em nenhum lugar, que é o talento das pessoas", afirmou. Segundo ele, muitos profissionais executam apenas o escopo formal de suas funções sem perceber que possuem capacidade empreendedora para liderar projetos de melhoria interna.
A descentralização da área de inovação
Na avaliação de Silveira, um dos principais entraves no mercado atual é a criação de áreas ou comitês de inovação que precisam convencer lideranças a participar de projetos paralelos, tratando a pauta como uma sobrecarga de trabalho. Para ele, o desenvolvimento de novas soluções deve fazer parte das metas rotineiras de cada executivo.
"A inovação não é o mandato da área de inovação, é o mandato do executivo de vendas, é o mandato do executivo de marketing, o mandato do executivo de experiência do cliente, da executiva lá de recursos humanos", explicou Silveira ao defender que cada departamento busque resolver seus próprios gargalos operacionais.
No vídeo acima, Silveira detalha como essa abordagem se desdobra no dia a dia corporativo e como alinhar as equipes operacionais às novas tecnologias.
Aplicação prática em RH e marketing
Ao exemplificar a inovação sistêmica, Silveira citou o uso de tecnologia e agentes de IA para otimizar processos internos, como etapas de recrutamento e seleção no RH que buscam elevar a produtividade em 30%.
No marketing e na experiência do cliente, Silveira mencionou a aplicação de metodologias inspiradas na hospitalidade para transformar a jornada do consumidor. O objetivo dessas práticas é impactar diretamente indicadores comerciais de negócio, como a redução do CAC e o aumento de LTV e NPS.
Diagnóstico e estratégia de quick wins
Questionado por Bruno sobre como iniciar esse processo na prática, Silveira recomendou começar com um diagnóstico estruturado em vez de focar apenas em capacitações teóricas ou visitas a ecossistemas. A partir desse mapeamento, a orientação é estruturar planos de 90 dias focados em quick wins para gerar tração rápida.
Segundo Silveira, a maturidade profissional do mercado não será medida pelo consumo passivo de ferramentas, mas pelo impacto gerado. "Daqui a pouco não vai ser assim, se você usa IA ou não. Todo, isso vai comoditizar, todo mundo vai usar. A questão é, que que você fez, aonde você aplicou, que resultado que você gerou?", pontuou.