Franquias de tecnologia e o desafio da padronização de marca
Vinicius Romano, da Camerite, explica como estruturar suporte, treinamento e marketing em redes de franquias de solução.
Em conversa no Marketing - The Podcast, Vinicius Romano analisa as particularidades de escalar uma rede de franquias de tecnologia e segurança. Romano detalha os desafios de manter a consistência da marca em projetos customizados e o suporte contínuo necessário para os franqueados.
Vinicius Romano, CEO da Camerite, falou, em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, sobre as complexidades de gerir e expandir uma rede de franquias voltada a soluções de tecnologia e segurança eletrônica. O episódio completo aborda também a trajetória da empresa e inovações em inteligência artificial, mas dedicou espaço aos desafios práticos de consistência de marca e operação no modelo de franchising.
Para assistir aos detalhes da análise e aos comentários sobre o mercado de tecnologia, veja o vídeo acima.
A diferença entre produtos físicos e franquias de solução
Romano pontua que a opção pelo modelo de franquias costuma ocorrer após a validação da maturidade da oferta: "Geralmente, você decide abrir uma franquia quando você tem um produto já consolidado, e aí você está só preocupado em expandir. Então, eu já validei meu produto, já tem fit com o mercado, agora eu quero expandir rapidamente". Contudo, o setor de tecnologia impõe dinâmicas distintas das franquias tradicionais de varejo ou alimentação.
Ao contrário de redes que comercializam itens padronizados de prateleira, a venda de infraestrutura e monitoramento exige adaptação a cada cliente. Romano enfatiza que a Camerite não vende um produto físico simples: "Nós é uma franquia de solução, pensa, que cada um é um, cada solução, cada projeto tem uma sua especificidade". Essa característica impede a aplicação rígida de fórmulas prontas de atendimento e demanda consultoria ativa.
Suporte operacional e alinhamento de comunicação
Para garantir a qualidade na ponta sem sobrecarregar o franqueado, Romano explica que a transferência de know-how vai além da entrega de manuais ou acessos a sistemas. A empresa mantém a Universidade Camerite para certificar os parceiros e conta com uma estrutura dedicada de Customer Success voltada a franquias: "não é só entregar ali o nome, tá aqui uma plataforma e tá aqui uma cadeia de treinamento básico, tipo uma universidade, que a gente tem lá, a universidade de Camerite, você passa ali, você tem x meses para completar, tirar um certificado, ou seja, está apto para a gente tem um time interno, que a gente chama de Cesc, que é Customer Success lá no caso de franquias, que tá ali para apoiá-los no dia a dia".
A padronização concentra-se nos pontos de contato que protegem a reputação da rede: "O que que nós padronizamos é o atendimento aqui, as peças de marketing que a gente trabalha junto com eles, é dicas de como fazer". Como o negócio não gera retorno imediato de um dia para o outro, a franqueadora atua diretamente no apoio regional e na geração de demanda inicial.
Projeções do setor de segurança eletrônica
O esforço de expansão acompanha o avanço do setor no Brasil. Romano cita dados da ABESE (Associação Brasileira de Segurança Eletrônica) para ilustrar a evolução do segmento: o mercado movimentou 14 bilhões em 2014, atingiu 16 bilhões em 2025 e tem previsão de alcançar 18 bilhões em 2026. Segundo Romano, esses indicadores justificam o investimento contínuo na estruturação de redes de atendimento técnico e comercial no país.