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Maracanã não é público e concessão gera receita ao Flamengo

Bernardo Ramos rebate declaração sobre arena pública, detalha modelo com o Fluminense e avalia debate do estádio próprio.

Bernardo Ramos esclarece a estrutura jurídica do Maracanã após declaração de comentarista e detalha a concessão com o Fluminense. A análise aborda a arrecadação das partidas, a disputa com o Vasco e os riscos financeiros de uma nova arena no Gasômetro.

A discussão sobre o uso do Maracanã ganhou novo capítulo após declarações na televisão sobre o status do estádio. O comentarista André Lofredo afirmou que o Maracanã é público ao abordar o pedido do Vasco para mandar a partida contra o Boca Juniors no local. No entanto, o estádio opera sob o regime de concessão privada há anos, inicialmente com a Odebrecht e, posteriormente, com a gestão conjunta de Flamengo e Fluminense, que venceram a licitação de longo prazo em 2024.

No vídeo acima, Bernardo Ramos contextualiza o modelo administrativo da arena carioca e analisa os desdobramentos esportivos e políticos dessa disputa. Para o jornalista, existe uma confusão conceitual comum: o Maracanã foi erguido e reformado com verba pública, mas sua operação atual é privada por meio de contrato de concessão. O cenário é semelhante ao do Engenhão, construído com recursos públicos para os Jogos Pan-Americanos Rio 2007 e os Jogos Olímpicos Rio 2016 — onde Tiago Braz conquistou o ouro no salto com vara —, mas concedido ao Botafogo de Futebol e Regatas.

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Disputa jurídica e pressão política

A liberação para o Vasco atuar no local ocorreu por vias judiciais. Em entrevista concedida a Pedro Ivo Almeida na Bombonera, o presidente vascaíno Pedrinho adotou um tom mais moderado, diminuindo os ataques ao presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Batista, o Bap, embora tenha defendido a tese de direito adquirido. Bernardo destaca que a concessionária Fla Flu Serviços S.A. não assinou o termo que previa quatro partidas do clube cruz-maltino no local além dos clássicos.

Paralelamente, o governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas, declarou em entrevista à TV Globo a intenção de dialogar com o consórcio para permitir que mais clubes utilizem o espaço. Bernardo avalia que há uma movimentação política para enfraquecer o controle da dupla Fla-Flu sobre o estádio, desconsiderando os custos operacionais suportados pelos atuais gestores.

Maracanã não é público e concessão gera receita ao Flamengo

Finanças da arena e o debate do Gasômetro

A arrecadação gerada pelo Maracanã sustenta financeiramente o futebol rubro-negro. No confronto contra o Fluminense no último domingo, em que foi mandante, o clube carioca obteve alto faturamento — embora não tenha sido o recorde da equipe na temporada de 2026. Em contrapartida, a operação do Vasco em São Januário contra o Remo, no último sábado, gerou uma arrecadação líquida pífia, apesar do clube ser o proprietário da praça esportiva.

Diante da rentabilidade do Maracanã, Bernardo questiona a viabilidade financeira da construção de uma arena própria imediata. O projeto original de Rodolfo Landim no Gasômetro, aprovado em meados de 2024, estipulava a entrega até 2029. Entretanto, Bap renegociou com o então prefeito Eduardo Paes para retirar a obrigatoriedade do prazo. Para o comentarista, contrair dívidas pesadas e juros para erguer uma arena traria risco de estrangulamento financeiro e prejudicaria a capacidade de contratação do clube.

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