Flamengo planeja mudança estatutária e nova gestão profissional
Apresentada no dia 1º de junho, a proposta cria diretoria executiva sob comando de CEO e amplia regras de transparência.
O Flamengo discute uma proposta de alteração em seu estatuto para reformular a governança interna do clube. O projeto prevê diretores profissionais remunerados subordinados a um CEO e medidas rígidas de controle contábil.
O Flamengo apresentou uma proposta de alteração em seu estatuto voltada para a transformação da estrutura de governança do clube. Apresentado no dia 1º de junho e aberto para emendas e comentários até o dia 15 de julho, o texto prevê o fim do papel operacional de cargos estatutários e a implementação de diretorias profissionais.
No vídeo acima, Fabrício Kica, do canal Mundo na Bola, participa do debate ao lado de Bernardo Ramos para explicar os principais pontos do documento e o impacto previsto para o futebol brasileiro.
Estrutura corporativa sob comando de CEO
Pelo modelo proposto, a gestão do clube passa a operar de forma semelhante a empresas de capital aberto listadas em bolsas de valores. O presidente e o grupo gestor deixam de exercer funções operacionais diretas e passam a atuar na fiscalização estratégica, enquanto o dia a dia fica sob a responsabilidade de um diretor-geral (CEO) e diretores profissionais contratados. Além disso, os membros do grupo gestor deverão comprovar experiência prévia relevante na iniciativa privada ou na administração pública.
Portal de transparência e controle de sócios
A proposta também estabelece a criação de um portal de transparência com publicação de balancetes mensais, planos anuais, planos plurianuais e demonstrações contábeis completas. Outro dispositivo obriga a divulgação pública de todos os contratos e negócios firmados entre o clube e seus sócios, visando coibir arranjos políticos e comerciais nos bastidores da instituição.
Comparação com o modelo de SAF
Para Fabrício Kica, a iniciativa representa uma alternativa estruturada ao modelo tradicional de associativismo e à Sociedade Anônima do Futebol. Segundo a avaliação de Kica, o formato preserva o processo democrático com eleições trienais nas quais os sócios exercem o papel de acionistas, evitando a centralização de poder em investidores privados. Kica pondera, no entanto, que o documento apresentado em 1º de junho ainda necessita de complementação nos processos detalhados de governança e na fixação de metas e indicadores de desempenho para os executivos remunerados.