Flamengo culpa clima e excesso de jogos por gramado do Maracanã
Diretoria aponta 23 dias de chuva e maratona de partidas enquanto consórcio estuda troca após evento da NFL.
Após queixas de atletas como Arrascaeta, Léo Ortiz e Rossi, a diretoria do Flamengo atribui a deterioração do gramado do Maracanã às chuvas frequentes e ao calendário sobrecarregado. O consórcio estuda a troca do piso após partida da NFL.
O estado do gramado do Maracanã motivou críticas internas e externas recentes, incluindo queixas públicas de atletas do Flamengo como Arrascaeta, Léo Ortiz e Rossi. A diretoria rubro-negra atribui a deterioração da superfície ao excesso de chuvas e ao volume atípico de partidas disputadas no estádio.
No vídeo acima, Bernardo Ramos traz bastidores da apuração com a cúpula rubro-negra e detalha as medidas em estudo pela concessionária do estádio.
Chuvas e volume de partidas
De acordo com informações obtidas junto a uma fonte interna do clube, o Rio de Janeiro acumulou 23 dias consecutivos de chuva, fator que inviabilizou a recuperação ideal da grama. Além das condições meteorológicas adversas, o calendário representa um obstáculo: o complexo deve fechar o ano com 76 ou 77 confrontos disputados. O consórcio gestor é composto por 65% de participação do Flamengo e 35% do Fluminense.
A comparação direta com praças que mantêm pisos de alta qualidade, como a Neo Química Arena e o Beira-Rio, passa pela carga de uso. Enquanto o campo paulista do Corinthians e o estádio gaúcho do Internacional recebem pouco mais de 35 jogos anuais por sediarem compromissos de apenas uma equipe, o Maracanã atende a dois mandantes com participações em torneios nacionais e continentais. O Castelão, utilizado por Ceará e Fortaleza, vive dilema similar, mesmo sem a presença constante de competições internacionais.
Evento da NFL e possibilidade de troca
A programação do Maracanã inclui um jogo da NFL entre Baltimore Ravens e Dallas Cowboys no dia 27. Informações apuradas pelo jornalista Mauro César apontam que o consórcio e a administradora especializada avaliam realizar a substituição integral do gramado logo após a realização do evento de futebol americano.
A construção de um estádio próprio segue fora do horizonte imediato do Flamengo. A alta da taxa básica de juros, a Selic, inviabiliza captações financeiras de grande porte no momento sem comprometer a saúde esportiva e orçamentária do clube, projetando o projeto para a próxima década.
Discussão sobre sintético e tensões políticas
A repercussão do tema aumentou após declarações de Léo Ortiz, dadas após o empate em 1 a 1 com o Independiente del Valle. Para Bernardo Ramos, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) deveria instituir uma padronização técnica para coibir tanto campos naturais degradados quanto a proliferação desenfreada de pisos sintéticos na Série A do Campeonato Brasileiro.
Nos bastidores políticos, o consórcio Fla-Flu vetou o uso do Maracanã pelo Vasco da Gama para a semifinal contra o Boca Juniors na Copa Sul-Americana, resguardando o piso. O movimento gerou atrito institucional: o presidente vascaíno, Pedrinho, avalia mandar o clássico contra o Flamengo pelo Brasileirão em São Januário ou em Manaus com 90% de torcida cruz-maltina. O clima de hostilidade também alcança a esfera judicial, com o presidente rubro-negro, Luiz Eduardo Batista, o Bap, processando o mandatário rival por declarações ofensivas.