Vico Saraiva explica ausência no 70.3 SP e reflete sobre longevidade
Com 35 anos de triatlo, atleta detalha recuperação de fratura no pé, rotina adaptada e planos para a reta final da carreira.
Mesmo inscrito no Ironman 70.3 São Paulo, Vico Saraiva optou por não largar para concluir a consolidação de uma fratura no pé. Em entrevista, o triatleta falou sobre resiliência, treinos adaptados e a reta final de sua trajetória profissional.
Presente na arena do Nubank Ultravioleta Ironman 70.3 São Paulo, Vico Saraiva não alinhou para a largada da prova. O triatleta profissional, que soma 35 anos dedicados ao esporte, explicou que a decisão foi tomada em conjunto com sua equipe médica após exames recentes de imagem indicarem que a recuperação de uma fratura no pé ainda necessita de cautela.
A lesão ocorreu cerca de sete semanas antes do evento, provocada por uma entorse que já o havia tirado do Ironman 70.3 Rio de Janeiro. A intenção inicial era fazer ao menos as etapas de natação e ciclismo em São Paulo, mas o raio-X feito dois dias antes da prova apontou que a consolidação óssea ainda não estava totalmente concluída. Priorizando a recuperação completa para etapas futuras, como Aracaju, Vico optou por seguir a recomendação médica e preservar o corpo.
Gestão da dor e maturidade após 35 anos no esporte
A decisão de abrir mão da prova reflete a postura construída ao longo de décadas no alto rendimento. Vico destacou que longevidade exige responsabilidade e que encarar limitações físicas faz parte da rotina esportiva. O atleta pontuou que planeja realizar intervenções cirúrgicas nas mãos ao fim da temporada e fazer a devida recuperação para disputar aquele que deve ser seu último ano como profissional.
O competidor também compartilhou sua visão sobre enfrentar adversidades físicas e perdas pessoais ao longo do ano. Para ele, lidar com a dor — seja muscular ou emocional — exige vivenciar o processo e praticar uma aceitação consciente para não transformar o incômodo em sofrimento prolongado. Segundo Vico, o esporte segue sendo sua principal ferramenta de amadurecimento pessoal, muito além de troféus e marcas de tempo.
Volume na água e treinos no rolo para manter o ritmo
Mesmo impedido de correr devido à fratura, a preparação não parou completamente. A estratégia foi focar no que era viável executar sem impacto. Em agosto, Vico aumentou o volume na piscina para 100 km no mês — acima de sua média habitual de 70 a 75 km —, utilizando apenas pull buoy, bermuda de neoprene e realizando viradas com apenas uma das pernas, sem bater perna.
Para manter a rodagem no ciclismo sem se expor a riscos externos, o triatleta comprou um rolo de treino para pedalar em casa. Embora considere o pedal indoor desgastante mentalmente, utilizou as sessões para exercitar a concentração e a disciplina em um período de restrições.
Análise do Ironman 70.3 São Paulo
Ao analisar o cenário da disputa masculina profissional em São Paulo, Vico destacou a profundidade do start list brasileiro e a variação climática como fatores determinantes para a prova. Entre os nomes competitivos, ele chamou a atenção para o crescimento de atletas oriundos da distância olímpica, citando o momento de velocidade de nomes como Joãozinho, além da presença de competidores internacionais como Luciano Taccone.