Curated
Voltar S @stemma 3 min de leitura
sports

Triatlo precisa de uma categoria elite amador?

No Café com Tri, Eduardo Braz e a bancada debatem índices técnicos, equilíbrio nas faixas etárias e a vaga para Kona.

A disparidade de nível técnico nas faixas etárias do triatlo reabre a discussão sobre a categoria Elite Amador. O treinador Eduardo Braz analisa índices de corte, longevidade esportiva e o fenômeno dos amadores de alta performance.

O nível de competitividade nas faixas etárias do triatlo atingiu patamares nunca antes vistos. Atualmente, para conquistar um pódio em provas de grande porte ou assegurar uma vaga para o Mundial de Ironman em Kona, o atleta amador frequentemente precisa sustentar uma rotina e tempos comparáveis aos do pelotão de elite. No programa Café com Tri, o treinador Eduardo Braz (ID_Endurance) e os apresentadores debateram alternativas para equilibrar as disputas, resgatando o conceito da categoria Elite Amador.

PUBLICIDADE (GAM) — 1250x250

O modelo de três categorias e o papel dos índices técnicos

No passado do triatlo brasileiro, o acesso a certas distâncias e categorias exigia comprovação de marcas em provas menores — como tempos mínimos no Short Triathlon para disputar a distância Olímpica. Eduardo Braz defende que a estruturação de um sistema baseado em critérios de rendimento poderia trazer mais equilíbrio e justiça esportiva às provas.

A proposta gira em torno de uma divisão tripartite: a categoria por idade (Age Group) para quem não possui os índices de corte; o Elite Amador, voltado para atletas amadores que atingem marcas expressivas de rendimento e possuem entregas comerciais para marcas; e, finalmente, o pelotão Profissional (PRO). Além de organizar a disputa por pódios, a exigência de índices poderia frear a migração precipitada de atletas recém-chegados para provas longas, promovendo longevidade física e emocional no esporte.

Triatlo precisa de uma categoria elite amador?

A disputa por Kona e o abismo nas faixas etárias

A necessidade de critérios mais claros reflete o cenário das principais categorias de idade. Durante a conversa, Beto Nitrini relembrou um diálogo com o jornalista Bob Babbitt: nas faixas entre 30 e 59 anos, para garantir uma vaga para o Campeonato Mundial de Ironman em Kona, o triatleta precisa obrigatoriamente manter uma dedicação praticamente profissional.

Esse funil se torna ainda mais evidente em faixas como a 30-34 e 35-39 anos no masculino, ou 25-29 no feminino, onde os tempos necessários para vencer no Brasil chegam à casa de 8 horas baixas no Ironman. Mesmo com as mudanças recentes no pool de distribuição de vagas da prova, as categorias intermediárias continuam extremamente saturadas e inacessíveis para o praticante recreativo comum.

Injustiça nas provas ou evolução do amador de ofício?

Embora muitos atletas encarem a presença de ex-profissionais — como o caso de Oscar Galíndez competindo em faixas etárias — ou de amadores com rotina exclusiva como uma desvantagem, a bancada pontuou que não se trata de injustiça regulamentar. Desde que não haja uso de substâncias ou métodos ilegais, disparidades de equipamento, tempo disponível e estrutura de treinamento sempre fizeram parte do esporte de alto rendimento.

A questão central, segundo a discussão, é que o mercado atual viabilizou o surgimento do chamado 'amador de ofício'. Esse atleta já inicia sua trajetória diretamente no cenário amador, mas conta com patrocínios, exposição expressiva em redes sociais e condições de preparação muito superiores à média geral. Diante dessa realidade, a adoção de critérios de índice ou de divisões como a Elite Amador dependeria de diretrizes globais das federações internacionais, mas segue como uma das propostas mais debatidas para valorizar tanto o topo do pódio quanto a evolução dos atletas intermediários.

PUBLICIDADE (GAM) — 1250x250