Redes sociais e imagem: o desafio dos triatletas profissionais
Falta de apoio institucional deixa gestão de imagem e transição de carreira a cargo de iniciativas individuais no triatlo.
Enquanto amadores frequentemente conquistam grande engajamento digital, triatletas profissionais ainda enfrentam a falta de suporte institucional para gerenciar sua imagem e planejar a transição de carreira.
No cenário atual do endurance, a presença digital tornou-se um ativo tão relevante quanto os resultados nas competições. Enquanto muitos atletas amadores constroem grande visibilidade e alto engajamento nas redes sociais — por vezes capitalizando mais sobre a mídia do que sobre o próprio rendimento esportivo —, os competidores profissionais ainda enfrentam dificuldades para profissionalizar o desenvolvimento da própria imagem.
A ausência de suporte institucional na gestão de imagem
A dinâmica entre redes sociais e profissionalismo no esporte foi debatida no podcast Café com Tri pelo treinador Eduardo Braz, da ID_Endurance, em conversa com Wagner Spadotto. Questionado sobre a existência de projetos conduzidos por federações ou pela Confederação Brasileira de Triathlon (CBTri) voltados para orientar atletas de elite no desenvolvimento de imagem e na transição de carreira, Braz avaliou que o setor ainda é carente de programas estruturados.
De acordo com o treinador, o trabalho com redes sociais no meio profissional ainda se apoia majoritariamente em iniciativas individuais e orgânicas, conduzidas pelo próprio atleta junto a seus técnicos e conselheiros. Projetos de imagem mais profissionalizados e consistentes continuam restritos ao topo do alto rendimento, como nos passos dados por Miguel Hidalgo, enquanto a atuação das entidades costuma se limitar a divulgações pontuais de assessoria de imprensa e mídias sociais.
Transição de carreira e sustentabilidade no esporte
Além do posicionamento digital durante a fase ativa de competições, o planejamento para o pós-carreira segue como outro ponto crítico. Embora iniciativas pontuais e cursos isolados de transição de carreira já tenham sido ofertados no passado, Braz ressaltou que a falta de um trabalho sistêmico prejudica os atletas que se dedicam integralmente ao circuito profissional.
Para quem vive do esporte de alto rendimento, estruturar a própria imagem e aprender a usufruir da rede de contatos e oportunidades gerada pelo ecossistema do triatlo é fundamental não apenas para atrair patrocinadores no presente, mas para garantir alternativas de sustento a longo prazo.