Carreira no triatlo: atleta profissional versus treinador
Eduardo Braz e a bancada do Café com Tri debatem a longevidade no esporte e o desafio da transição de carreira.
A carreira de um triatleta profissional tem prazo de validade fisiológico, exigindo planejamento e transição para o pós-competição. No Café com Tri, o treinador Eduardo Braz analisa a sustentabilidade da atuação como técnico em comparação com a rotina de atleta de alto rendimento.
No triatlo de alto rendimento, o relógio biológico impõe limites claros. Enquanto a performance física atinge o ápice e começa a declinar entre o final dos 30 e meados dos 40 anos, a carreira técnica segue uma dinâmica oposta. A longevidade e a sustentabilidade profissional no esporte foram temas de debate no podcast Café com Tri, em conversa com o treinador Eduardo Braz, da ID_Endurance.
Longevidade e tempo de atuação
Segundo Eduardo Braz, a profissão de treinador se mostra mais sustentável a longo prazo justamente pelo fator tempo: enquanto o atleta profissional precisa encerrar ou remodelar sua rotina competitiva por volta dos 40 a 45 anos, o técnico consegue atuar por décadas, mantendo-se ativo e produtivo até fases avançadas da vida.
Isso não significa, contudo, enriquecimento fácil. A sustentabilidade apontada pelo treinador diz respeito à continuidade do fluxo de trabalho e à demanda contínua do mercado de assessorias esportivas, e não a salários exorbitantes.
Transição de carreira e negócios no esporte
Salvo exceções raríssimas no cenário mundial — atletas no topo absoluto que constroem patrimônio multimilionário —, a premiação e os patrocínios no triatlo raramente garantem uma aposentadoria financeira tranquila. Por isso, estruturar uma transição de carreira antes do fim do ciclo de alta performance é indispensável.
O caminho mais natural para o ex-profissional costuma ser a migração para os bastidores esportivos: atuar como treinador em assessoria própria ou em parceria, prestar serviços especializados como bike fit ou empreender em lojas e marcas do ecossistema endurance. Mesmo referências globais como Jan Frodeno diversificam suas frentes de negócios dentro do universo esportivo para manter a relevância e o sustento após deixarem a linha de largada profissional.