Curated
Voltar S @stemma 4 min de leitura
sports

Recordes, Kipchoge no Brasil e o novo mercado da corrida

Edição ao vivo do Radar Stemma analisa recordes históricos, o fenômeno das Majors e as transformações do público nas provas.

O Radar Stemma debateu os principais acontecimentos do universo da corrida de rua durante o TS Summit. Da quebra de marcas globais e nacionais à presença de Eliud Kipchoge no Brasil, confira as principais análises sobre atletas, eventos e mercado.

Como marcas e organizadores desenham parcerias em eventos esportivos

O relacionamento entre marcas e organizadores de corrida de rua vive uma fase de sofisticação estratégica. A simples aplicação de logotipo em pórticos e camisetas deu lugar a ativações de experiência, relacionamento e programas de fidelidade, como o modelo de recorrência adotado em grandes eventos. Diante da escolha entre criar uma prova proprietária ou patrocinar circuitos consolidados, o objetivo comercial e o orçamento ditam os caminhos, enquanto os organizadores independentes precisam construir narrativas autênticas e projetos sólidos para entrar no radar das grandes marcas.

PUBLICIDADE (GAM) — 1250x250

A chuva de recordes globais e as novas marcas em solo brasileiro

O cenário de alta performance registrou marcos históricos recentes na maratona. Em Londres, Sabastian Sawe venceu com o tempo de 1h59m30s, seguido por Quelye Gelcha com 1h59m41s — os primeiros tempos abaixo de duas horas em prova regular com regras válidas para recorde mundial pela World Athletics, superando a marca anterior de Kelvin Kiptum. Gelcha ainda estabeleceu o novo recorde mundial de meia maratona em Buenos Aires com 56m51s. Entre as mulheres, Tigist Assefa também brilhou com vitória na capital britânica, impulsionando os lançamentos de supertênis no mercado.

Nas provas nacionais, o cronômetro também caiu expressivamente. Daniel Sang venceu a Maratona de Porto Alegre com 2h10m21s, enquanto o marroquino Zinedine Oury cravou 2h09m na New Balance 42k. Entre os brasileiros, Fábio de Jesus Correa despontou como o grande destaque ao vencer a Meia Maratona do Rio com 1h01m53s e estrear nos 42 km em Porto Alegre com 2h10m46s, registrando a melhor marca de um atleta nacional em solo brasileiro. No feminino, Gadise Mulu venceu a Maratona do Rio com 2h25m47s, e Núbia de Oliveira marcou 1h11m13s na Meia de Buenos Aires.

Recordes, Kipchoge no Brasil e o novo mercado da corrida

A febre das Majors e a expansão do calendário mundial

A busca pelas provas que integram o circuito das World Marathon Majors atingiu recordes absolutos de demanda. Para a edição de 2026, a Maratona de Nova York acumulou mais de 240 mil inscrições em seu sorteio, enquanto Londres recebeu 1.338.544 candidatos para 2027, motivando a criação de um formato especial de dois dias para acomodar 100 mil participantes. A entrada de novas provas candidatas, como Sydney — que viu o contingente de concluintes brasileiros saltar de seis atletas para mais de quatrocentos —, aquece debates sobre a maturidade de outros palcos turísticos, como o Rio de Janeiro, no radar global.

Os bastidores de Boston: placa polêmica e espírito esportivo na chegada

A tradicional Maratona de Boston repercutiu dentro e fora do asfalto. Em uma ativação não oficial de loja, uma placa com os dizeres de que caminhantes seriam apenas "tolerados" gerou forte reação da comunidade e foi retirada após críticas, abrindo espaço para marcas concorrentes reforçarem mensagens de inclusão. Em contrapartida, os metros finais da prova protagonizaram uma cena de companheirismo: o brasileiro Robson Oliveira e o irlandês Aaron Beggs ampararam o indiano Ajay Hari Dasa, travado por cãibras, cruzando juntos a linha de chegada em 2h44m46s.

O efeito Eliud Kipchoge na Maratona de Porto Alegre

A passagem de Eliud Kipchoge pelo Brasil transformou a New Balance 42k Porto Alegre em um marco esportivo e de negócios. O bicampeão olímpico completou a prova em 2h18m42s, terminando na 12ª colocação após uma intensa agenda de treinos, palestras e ativações públicas. O impacto comercial foi direto: as vendas da loja oficial na Expo cresceram 236% na comparação com o ano anterior. Para 2027, a organização já projeta a expansão do evento para dois dias de programação esportiva.

O novo perfil do atleta nacional segundo dados da Ticket Sports

Levantamentos setoriais apresentados pela Ticket Sports apontam mudanças claras na demografia do corredor brasileiro. A análise de 2,9 milhões de inscrições em mais de 3,5 mil eventos revelou maioria feminina nas provas (52,4%), redução da idade média para 38 anos e avanço da Geração Z, que já responde por 18,9% dos atletas. O kit segue como fator decisivo de escolha para 83,7% dos corredores. Já a pesquisa sobre participantes não inscritos (pipocas) mostrou que 36% admitiram ter corrido sem inscrição, apontando o valor como barreira, embora 93% desse mesmo público já tenha pago por inscrições em outras ocasiões.

Entretenimento em alta: das 'showridas' às provas temáticas

A integração entre esporte e entretenimento desponta como ferramenta de atração para novos públicos. Formatos como a "showrida" — unindo percursos de corrida a apresentações musicais pós-prova, como os projetos de Bell Marques e Thiaguinho — ampliam o mercado endereçável para além dos corredores tradicionais. Essa diversificação se estende a eventos temáticos ao redor do mundo, como provas festivas de distâncias ultracurtas ou desafios com propostas lúdicas, consolidando a experiência social como pilar do esporte.

PUBLICIDADE (GAM) — 1250x250

Mais de @stemma