Matheus Menezes mira prova limpa no Ironman 70.3 São Paulo
Após contratempos em Nice e no Rio, triatleta profissional corre em casa buscando transferir o auge dos treinos.
Recém-chegado do Mundial de Nice, Matheus Menezes detalha os aprendizados com a elite internacional e projeta sua estreia no percurso do Ironman 70.3 São Paulo em busca de uma prova sólida.
Recém-chegado da França e ainda se readaptando ao fuso horário brasileiro, o triatleta profissional Matheus Menezes chega ao Nubank Ultravioleta Ironman 70.3 São Paulo com um objetivo claro: encaixar uma prova limpa, sem imprevistos mecânicos ou problemas de saúde, para transformar em resultado a excelente fase que vem construindo nos treinos.
A bagagem do Mundial de Nice
A passagem pelo Campeonato Mundial em Nice trouxe desafios duros, mas também lições valiosas. Logo no início do ciclismo, Matheus enfrentou um furo de pneu que comprometeu todo o seu rendimento no trecho pedalado. Ele chegou a parar na subida da clássica Col de Vence na tentativa de solucionar o vazamento, sem sucesso. Mesmo sem a pressão ideal e administrando a descida com cautela para garantir a segurança, ele optou por completar a prova e correr a pé despretensiosamente, sem relógio, absorvendo o clima da competição em vez de abandonar.
Na água, a experiência de largar ao lado de referências olímpicas como Hayden Wilde e da elite mundial foi intensa. Matheus contou que largou forte, passando bem pela primeira boia dos 300 metros no mesmo ritmo de brasileiros como Iago e Gustavinho. No entanto, após trocas de contato físico na boia dos 700 metros, acabou perdendo o contato com o pelotão principal. Ainda assim, a vivência de nadar sob ritmo extremo serviu como referência prática para a evolução que já vinha buscando nos treinos de piscina.
Foco total em uma prova sem erros em São Paulo
Depois de lidar com uma virose que o impediu de largar no Rio de Janeiro e com o problema mecânico em Nice, Matheus encara a etapa paulistana como uma oportunidade de virada. O atleta destaca que os números registrados nos blocos de treino recentes apontam para o melhor momento de sua forma física, restando apenas reproduzir esse desempenho no asfalto.
Apesar de ter crescido na capital paulista, esta será sua estreia competindo no percurso do Ironman 70.3 na cidade. Como iniciou no triathlon durante a faculdade no exterior, Matheus não vivenciou a tradicional rotina de treinos na Cidade Universitária (USP), tornando a presença de amigos e familiares na torcida um combustível extra para o domingo.
Start list forte e o nível do triathlon global
Avaliando os adversários no start list — que reúne nomes como Santiago Ascenço, Fellipe Santos, Luciano Taccone, Enzo e Iago —, Matheus prevê uma disputa acirrada desde a natação. Ele ressaltou a solidez das atuações recentes de Iago e Enzo no cenário internacional, pontuando que colocações intermediárias em mundiais refletem um nível absurdo de densidade competitiva.
Para ele, o abismo que por vezes transparece nos resultados em relação à elite europeia decorre do volume de eventos tradicionais como a Bundesliga alemã e o Grand Prix francês, onde competidores competem em alta intensidade desde as categorias de base. Matheus avalia que o aumento do calendário nacional, com etapas do circuito Ironman 70.3 e provas como a Americas Cup, encurtará essa distância para as próximas gerações do triathlon brasileiro.