Laura Aliberti faz bate-bola sobre corrida e saúde mental
No quadro Sprint Final, a psicóloga reflete sobre limites, a romantização do pace e a força da rede de apoio feminina.
Em dinâmica rápida no Girls Who Run, a psicóloga e corredora Laura Aliberti compartilha insights sobre resiliência, a importância de pedir ajuda e o papel do esporte na saúde mental. Ela também critica a obsessão por vitórias e a romantização do pace.
No encerramento do episódio especial de Setembro Amarelo do Girls Who Run, a psicóloga, psicanalista e corredora Laura Aliberti participou do quadro "Sprint Final". Em um formato dinâmico de respostas diretas e associação livre, Laura sintetizou conexões essenciais entre a prática esportiva, a saúde mental e a relevância de manter uma rede de apoio ativa.
Romantização do pace e o aprendizado nas derrotas
Ao responder sobre o que as pessoas deveriam parar de romantizar, Laura apontou diretamente para a obsessão exclusiva pelas vitórias e pela evolução ininterrupta de métricas, como o pace. Para a especialista, focar apenas em desempenhos impecáveis gera uma cobrança constante por validação externa, enquanto os momentos de frustração e derrota costumam ser os que mais trazem ensinamentos para o atleta.
A psicóloga também revelou suas relações particulares com cada modalidade: a corrida é seu refúgio para momentos de solitude, enquanto a natação proporciona uma sensação única de prazer corporal e plenitude. Ao conceituar saúde mental e desejo, Laura recorreu aos termos psicossoma e energia vital (libido), reforçando que o equilíbrio psíquico não pode ser dissociado do bem-estar físico.
Limites, resiliência e a coragem de pedir ajuda
No cruzamento entre os treinos e o consultório, Laura destacou que a corrida lhe ensinou lições valiosas sobre resiliência e o reconhecimento dos próprios limites — tanto a capacidade de suportar o esforço quanto o discernimento de aceitar que não é preciso dar conta de tudo o tempo todo. Em contrapartida, a psicologia a ensinou a valorizar e celebrar cada etapa do desenvolvimento individual na vida adulta.
Para quem atravessa momentos delicados, o conselho central é fortalecer vínculos e saber pedir ajuda. Ter alguém por perto funciona como um empréstimo de novas lentes para enxergar caminhos quando o pensamento solitário fica turvo. Laura enfatiza a importância das referências femininas, incentivando a troca sincera entre mulheres e o cultivo de pequenos prazeres cotidianos que promovam acolhimento, seja no esporte, na música ou em uma refeição reconfortante.