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A corrida não é terapia: Laura Aliberti e a saúde mental

Psicóloga e corredora analisa a relação entre esporte, psicanálise, frustração e os limites do cuidado emocional.

Em episódio especial do Girls Who Run, a psicóloga Laura Aliberti discute os encontros entre corrida de rua e psicanálise. A conversa aborda o valor dos hobbies, a capacidade de estar só e os limites do esporte no cuidado com a saúde mental.

No episódio especial de Setembro Amarelo do Girls Who Run, as apresentadoras Mariana Real e Marcela Fanti recebem a psicóloga e psicanalista Laura Aliberti para debater as conexões entre esporte e saúde mental. Longe de enxergar a corrida como solução mágica para todas as angústias, o bate-papo explora os limites do esporte, a importância do descanso e a construção de recursos psíquicos por meio do movimento.

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Apresentação de Laura Aliberti e a união entre psicologia e corrida

Laura Aliberti relembra seu histórico esportivo desde a infância e sua trajetória com a corrida de rua a partir de 2015. Formada em psicologia com atuação em psicanálise winnicottiana, a convidada detalha como a compreensão integrada entre mente e corpo ajuda a identificar sinais de ansiedade, sobrecarga e a lidar com as faltas e frustrações do cotidiano.

A corrida não é terapia: Laura Aliberti e a saúde mental

O hobby como o brincar do adulto e a pressão por produtividade

Com base nas ideias de Donald Winnicott, a conversa analisa o papel dos hobbies como um resgate do brincar na fase adulta — um estado de presença e experimentação livre de cobranças. O debate aponta como a obsessão por métricas e performance pode esvaziar o prazer do esporte, reforçando a necessidade de entender os propósitos reais por trás de cada objetivo esportivo.

Dor física, tolerância à frustração e a construção da musculatura psíquica

O episódio discute o paralelismo entre suportar o desconforto físico dos treinos intensos e desenvolver tolerância para as dores emocionais do dia a dia. Laura apresenta o conceito de musculatura psíquica, ressalta a importância de celebrar o processo em vez de focar apenas nos resultados e destaca o uso da escrita terapêutica como ferramenta de registro e preservação de memórias afetivas.

Os limites do esporte: por que corrida não é terapia

Laura esclarece que, embora a prática esportiva traga benefícios claros e seja profundamente terapêutica, ela não substitui a psicoterapia. Um processo analítico exige enquadre profissional, método e acolhimento estruturado para lidar com temas desconfortáveis, alertando para o risco de depositar na corrida a responsabilidade irreal de resolver todos os conflitos emocionais.

A capacidade de estar só e as particularidades da corrida e da natação

A psicóloga aborda a capacidade de estar só como uma conquista do desenvolvimento emocional, mostrando como o esporte proporciona momentos essenciais de introspecção. O bloco traça comparações sensoriais entre o silêncio focado da natação e os estímulos da corrida na rua, reforçando o valor de sustentar a própria companhia em meio à hiperconexão digital.

Autocobrança, o "ideal de eu" e o confronto com a realidade

O conceito psicanalítico de ideal de eu é debatido para explicar as origens da autocobrança e das comparações internas. Laura defende que aceitar a realidade e os limites físicos não é fracasso, mas um alívio fundamental para garantir a longevidade esportiva, o que inclui saber fazer pausas e respeitar o tempo de recuperação do corpo em momentos de lesão.

Como reencontrar e escutar o próprio desejo no meio do excesso de estímulos

Diante da sobrecarga de informações e expectativas externas, a convidada reflete sobre o papel do recolhimento e do silêncio para identificar o que é genuinamente autêntico. O bloco examina como os desejos se transformam ao longo do tempo e como a organização interna permite filtrar influências das redes sociais e renovar a motivação esportiva.

Sprint final: bate-bola sobre saúde mental, corrida e rede de apoio

Na rodada de perguntas rápidas, Laura Aliberti resume aprendizados centrais sobre resiliência, limites pessoais e a necessidade de não romantizar apenas as vitórias no esporte. A psicóloga conclui ressaltando a importância do autocuidado e a coragem de pedir ajuda e construir redes sólidas de apoio emocional.

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