Guia do ciclismo no 70.3 São Paulo: percurso e setup de bike
Fábio Carvalho e Bruna Mahn detalham túneis rápidos, subidas curtas, vento na Marginal e a melhor relação de marchas.
Entenda os trechos mais críticos da etapa de ciclismo do Ironman 70.3 São Paulo. O ex-triatleta profissional Fábio Carvalho analisa o trajeto, os riscos de queda de caramanhola e a escolha ideal de marchas.
A etapa de ciclismo do Ironman 70.3 São Paulo combina trechos extremamente velozes com setores técnicos que exigem atenção redobrada dos atletas. Em análise no canal Stemma Sports durante o programa Stemma Performance, a triatleta Bruna Mahn e o ex-triatleta profissional Fábio Carvalho dissecaram as particularidades dos 90 km de pedalada na capital paulista, alertando para detalhes de pilotagem e ajustes mecânicos essenciais.
Atenção às garrafas e descidas rápidas na largada
Logo na saída da transição na Raia Olímpica da USP, os competidores enfrentam uma série de lombadas e pavimentos de concreto com bastante trepidação. O risco de perder caramanholas nesse início é alto. A recomendação primordial é travar e prender muito bem as garrafas no suporte antes de largar. Caso algum equipamento caia, o competidor jamais deve frear bruscamente ou retornar na contramão, pois o pelotão vem embalado atrás e a prioridade absoluta deve ser a segurança coletiva.
O trecho inicial também reserva passagens subterrâneas exigentes. No túnel que cruza sob a Marginal, a descida é bastante íngreme e permite atingir velocidades superiores a 80 km/h. Atletas menos experientes devem se posicionar rigorosamente à direita da pista para dar passagem a quem desce mais rápido pela esquerda. O Túnel Ayrton Senna, sob o Parque do Ibirapuera, também demanda prudência por ser escuro e veloz.
Dinâmica na Marginal Pinheiros e pontos de atenção
Depois de passar pelas avenidas Ruben Berta, 23 de Maio e Juscelino Kubitschek, o trajeto desemboca na Marginal Pinheiros, onde são cumpridas duas voltas principais. Nesse miolo, as subidas e descidas de viadutos, como a alça da Ponte do Morumbi, impõem aclives curtos e bastante inclinados, que quebram o embalo e exigem redução prévia de marchas para não gerar picos de potência desnecessários.
Outro ponto crítico está nos postos de hidratação. Por ser uma prova com grande densidade de competidores, as áreas de abastecimento costumam ficar cheias. Reduzir a velocidade para pegar as garrafas com firmeza evita choques e quedas. Já nos últimos 10 km, o retorno subterrâneo sob o rio em direção à USP costuma parecer interminável para quem já acumulou desgaste físico, exigindo foco mental até a entrada da T2.
Setup de bike e relação de marchas recomendada
Para o circuito paulistano, a escolha da transmissão é determinante. Na categoria profissional, atletas costumam adotar coroas grandes, de 58 ou até 60 dentes, para manter tração nas descidas em alta velocidade. Para a maioria dos amadores, Fábio Carvalho desaconselha o uso de coroas únicas (1x), alertando que sistemas sem câmbio dianteiro tendem a deixar o atleta desprovido de marcha adequada tanto nas descidas muito rápidas quanto nas subidas mais travadas.
Para quem compete nas faixas etárias, uma combinação tradicional com coroa dupla (como 50/34 ou 52 dentes com pinhão inicial de 10 ou 11 atrás) oferece versatilidade suficiente para encarar as inclinações sem travar a cadência e descer com firmeza.
Vento e variações climáticas na capital paulista
O vento na Marginal Pinheiros é um fator de desgaste clássico, castigando especialmente a segunda volta dos atletas amadores ao longo de cerca de 30 km contra a corrente de ar. Além disso, a época do ano em São Paulo impõe amplitude térmica: a manhã pode amanhecer fria e evoluir para um calor seco expressivo durante o percurso, reforçando a importância de manter a hidratação em dia ao longo de todo o trecho de bike.