Eduardo Siroto mira top 10 no Ironman 70.3 São Paulo
Em seu primeiro ano como profissional, o triatleta detalha lições do calor no Rio e a estratégia para a prova paulista.
Em entrevista exclusiva, Eduardo Siroto avalia a rotina do seu primeiro ano na elite do triathlon e relembra a superação no calor do Rio de Janeiro. O atleta detalha seus ajustes na natação e as metas para o Ironman 70.3 São Paulo.
No seu primeiro ano competindo na elite do triathlon, Eduardo Siroto vive a intensidade de um calendário completo. Entre provas do circuito e disputas como o Giro d'Italia em São Paulo, o triatleta precisou aprender a lidar com o desgaste acumulado do segundo semestre, momento em que o volume de competições exige equilíbrio entre manutenção de performance e testes estratégicos.
A rotina de provas consecutivas reduz as janelas de treinos pesados, mas serve como laboratório para ajustes finos. Após o Ironman 70.3 Rio de Janeiro, Siroto passou por semanas de recuperação profunda e testes nutricionais para identificar pontos de melhoria para a sequência da temporada.
A superação do calor no Rio de Janeiro
A etapa carioca foi um dos maiores testes de resiliência de Eduardo Siroto no ano. O triatleta enfrentou um quadro de hiperaquecimento corporal que começou ainda na água, onde nadou para 31 minutos — acima dos 27 a 28 minutos projetados. A alta frequência cardíaca indicava o estresse térmico logo no início do dia.
Na transição para a corrida, o impacto do calor cobrou o preço: com batimentos elevados equivalentes a um ritmo de 3:30/km, o atleta sustentava parciais entre 4:15 e 4:20/km. Apesar de cogitar o abandono e caminhar pelos postos de hidratação para colocar gelo no corpo, Siroto recalculou a estratégia. Focou nos pontos para o ranking e transformou a reta final em um treino de luxo para São Paulo, fechando a meia maratona com ritmo forte ao lado de Pâmella Oliveira.
Parceria e dinâmica com Rafael Câmara
A disputa sadia com outros profissionais é uma das marcas da rotina de Siroto. Nas etapas de Brasília e do Rio, o atleta dividiu trechos importantes do ciclismo e da corrida com Rafael Câmara, trabalhando em conjunto quando a dinâmica de prova permitia.
Siroto destaca que a leitura de prova na elite exige decisões rápidas sobre potência. Em subidas mais duras ou momentos de fuga, a necessidade de rodar acima do planejado faz parte da disputa direta por posições, exigindo maturidade para não comprometer a corrida final.
Estratégia e expectativas para São Paulo
Para o Ironman 70.3 São Paulo, o cenário climático promete ser muito mais favorável, com previsão de temperaturas amenas entre 18°C e 19°C. A natação na Raia Olímpica da USP oferece referências visuais que facilitam a navegação em linha reta, compensando as dificuldades de transição da piscina para as águas abertas — setor em que Siroto dobrou o volume semanal para a faixa de 25.000 a 28.000 metros.
No ciclismo pela Marginal Pinheiros e túneis, o foco será manter a fluidez nas transições de terreno e torcer para que o vento lateral típico da capital não trave o ritmo. Com um start list concorrido, Eduardo Siroto estabelece metas claras: assegurar um lugar no top 15 representa um trabalho bem executado, enquanto o top 10 consolida o resultado ideal na capital paulista.