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Da Comrades às trilhas: a trajetória de Laurindo Nunes

Recordista sul-americano da Comrades detalha sua gestão de carreira, transição para ultras e desafios no trail running.

Em conversa com Sidney Togumi no Stemma Na Trilha, o ultramaratonista Laurindo Nunes relembra sua trajetória desde a base na pista até o recorde sul-americano na Comrades Marathon. O atleta explica como aplicou a Administração para gerenciar sua carreira e detalha sua recente transição para o trail running.

No cenário do endurance de alto rendimento, o talento físico raramente se sustenta sem planejamento estratégico e mentalidade de longo prazo. Laurindo Nunes construiu sua carreira pautado nessa premissa: desde as primeiras passadas nas categorias de base até a consagração como ultramaratonista e recordista sul-americano da Comrades Marathon, cada decisão foi calculada com precisão corporativa e técnica.

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Da pista à Administração: a visão de negócio no atletismo

Natural de Caçador (SC), Laurindo iniciou no atletismo aos 15 anos sob a orientação do treinador Donizete. Com apenas dois anos de treino, sagrou-se campeão brasileiro escolar nos 3.000 metros rasos com o tempo de 8min51s. Após uma passagem intensa e marcada por lesões pelo Centro Nacional de Treinamento em Uberlândia, o fundista retornou à sua cidade natal decidido a estruturar o esporte como profissão sustentável.

Ao ingressar no ensino superior com bolsa de estudos na Uniarp, fez uma escolha incomum para a maioria dos atletas: trocou a faculdade de Educação Física por Administração. A mudança permitiu enxergar a própria carreira como um empreendimento, calculando custos logísticos, retorno sobre investimento em viagens e gestão de premiações de corridas de rua para viabilizar ciclos de treinamento mais sólidos.

Da Comrades às trilhas: a trajetória de Laurindo Nunes

Das maratonas de rua ao ouro em Tóquio e o recorde na Comrades

O planejamento financeiro permitiu que Laurindo estreasse na maratona em 2017, quando venceu a SP City Marathon com a marca de 2h20min09s — feito que repetiria no ano seguinte, além de conquistar títulos em Foz do Iguaçu. Contudo, em 2019, o diagnóstico da Síndrome de Haglund (calcificação no calcâneo) exigiu adaptações na mecânica de corrida e redirecionou seu foco para distâncias maiores, evitando o impacto excessivo da velocidade pura no asfalto.

Durante o período de paralisação esportiva na pandemia, Laurindo atuou como atleta-guia de Yeltsin Jacques nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020 (disputados em 2021), conquistando a medalha de ouro. Logo depois, estruturou o projeto para competir na tradicional Comrades Marathon, na África do Sul. Em 2023, cravou a marca de 5h31min29s, estabelecendo o recorde sul-americano da ultramaratona de estrada mais antiga do mundo.

Na sequência dos desafios nos 100 km, disputou o projeto Breaking 100 no Aeroporto da Pampulha e venceu a prova de 100 km em Vilnius, na Lituânia, sob condições climáticas extremas, com o tempo de 6h37min.

A adaptação às montanhas e os próximos desafios

A migração para o trail running e o skyrunning representou um novo aprendizado técnico, especialmente nas descidas acentuadas e terrenos acidentados. Laurindo estreou na distância no UTMB Paraty (segundo colocado) e na Indomit Pedra do Baú (35 km), até vivenciar a intensidade máxima no Jaraguá Sky, onde venceu baterias como o W e a prova de subida (Up Hill), disputando cada segundo contra atletas experientes da montanha.

Laurindo agora equilibra o calendário entre o asfalto e as trilhas. Os próximos objetivos incluem o Campeonato Mundial de 100 km na Espanha e a preparação para grandes provas no circuito de Chamonix. Com patrocínio de marcas como Fila, Uniarp, Z2, Coros, Berry House e Jaraguá Sky, o atleta mantém a disciplina e a leitura corporal como pilares centrais para uma carreira longeva no alto rendimento.

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