Como Aretha Duarte viveu a chegada ao cume do Everest
Montanhista relembra as 11 horas de ataque ao topo, a visão de Lukla a 8.848 metros e a emoção de alcançar o cume.
Aretha Duarte detalha os momentos finais de sua ascensão ao Everest, desde a saída noturna do Campo 4 até os 15 minutos inesquecíveis no topo do mundo. Uma experiência marcada por gratidão, lágrimas e um visual de tirar o fôlego.
Atingir o ponto mais alto do planeta aos 8.848 metros de altitude exige força física, mas a chegada ao cume do Everest é, acima de tudo, uma experiência emocional avassaladora. No programa XTREMMA Sports, a montanhista Aretha Duarte relembrou com riqueza de detalhes os sentimentos e os desafios práticos das últimas horas de sua caminhada rumo ao teto do mundo.
A marcha noturna a partir dos 8.000 metros
A etapa decisiva começou às 23h30, quando Aretha deixou o Campo 4, situado na marca dos 8.000 metros, em plena escuridão e sob frio extremo. Foram cerca de 11 horas de ascensão ininterrupta. Para garantir que teria bateria para registrar o cume, o celular permaneceu bem protegido e aquecido dentro do bolso do macacão de penas durante quase toda a subida.
O aparelho só saiu do abrigo quando o cume despontou diante de seus olhos, a cerca de dois a cinco minutos do ponto mais alto. Naquele trecho final, a certeza da conquista permitiu os primeiros registros em vídeo antes do passo definitivo.
Lágrimas, oração e plenitude no topo do mundo
Aretha alcançou o cume por volta das 10h30 da manhã, encontrando um dia de céu totalmente aberto. O primeiro gesto ao atingir o marco foi ajoelhar-se na neve para recitar uma passagem bíblica e agradecer.
A montanhista conta que um filme passou por sua mente, lembrando de cada pessoa que contribuiu para que o projeto se tornasse realidade. O momento reuniu risos, choro e uma sensação plena de representatividade.
A permanência no cume durou cerca de 15 minutos. Do topo, Aretha estava acima de todas as outras montanhas e do mar de nuvens, conseguindo enxergar até mesmo a pista do aeroporto de Lukla, ponto de partida de toda a jornada pelo Vale do Khumbu.
Registros na zona da morte com o sherpa Pasang
Sem uma equipe de filmagem dedicada no trecho final, Aretha contou com o suporte do sherpa Pasang e realizou as gravações por conta própria. Mesmo com os lábios quase congelando pelo frio extremo, conseguiu registrar mensagens curtas para documentar a chegada histórica.
A estratégia de manter o celular aquecido junto ao corpo evitou o congelamento do equipamento, permitindo eternizar os momentos mais marcantes da conquista no cume mais alto da Terra.