Como Aretha Duarte levantou R$ 400 mil para o Everest
Com reciclagem, bazares e apoio de empresas, montanhista viabilizou expedição histórica em pouco mais de um ano.
Conheça os bastidores da captação financeira do projeto Da Sucata ao Everest. Em conversa no XTREMMA Sports, Aretha Duarte detalha como transformou reciclagem, bazares e leilões nos R$ 400 mil necessários para a expedição.
Viabilizar uma expedição ao cume do Everest exige um planejamento financeiro que costuma afastar a maioria dos atletas sem grandes patrocinadores. Para Aretha Duarte, o caminho até os 8.848 metros começou longe do Himalaia: nos galpões de reciclagem e na mobilização comunitária com o projeto Da Sucata ao Everest. Em participação no XTREMMA Sports, com Shubi, a montanhista explicou a engrenagem que transformou resíduos em R$ 400 mil para a expedição.
Da reciclagem aos leilões e bazares
Nos primeiros meses de campanha, o foco foi integralmente a coleta e venda de materiais recicláveis. Com o avanço da iniciativa, novas frentes de arrecadação foram abertas: venda de camisetas feitas de plástico PET reciclado, bazares de roupas, livros e móveis doados, além de leilões com equipamentos de montanha doados por outros atletas e campanhas de financiamento coletivo.
A virada no ritmo de arrecadação aconteceu por volta do oitavo mês, quando sete marcas e apoiadores corporativos entraram no projeto — incluindo nomes como The North Face, Spot, Dart Dack e To The Five. O aporte conjunto acelerou a meta e permitiu fechar a conta exata de R$ 400.000 em 12 meses e 15 dias de trabalho ininterrupto.
A janela da temporada e decisões sob pressão
O tempo corria contra a logística da montanha. A janela climática para o cume do Everest é restrita à primavera do hemisfério norte, entre março e maio. Qualquer atraso na arrecadação significaria adiar a viagem por pelo menos mais doze meses.
Durante a captação, o fotógrafo Tiso intermediou conversas com o Canal Off, que ofereceu apoio financeiro condicionado a adiar a expedição para a temporada do ano seguinte. Aretha optou por recusar a oferta para não perder a janela que já estava aberta, mantendo o foco nas ações diretas e garantindo o embarque na primeira temporada viável.
Para a montanhista, o topo do mundo nunca foi o objetivo final, mas sim uma plataforma de visibilidade para viabilizar projetos sociais na periferia. Essa continuidade de propósito permitiu que a história seguisse repercutindo muito além do ciclo tradicional de atenção após uma expedição em alta montanha.