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Por que repertório importa mais que curso de prompt na IA

Renato analisa o impacto da inteligência artificial no design gráfico, a utilidade dos cursos de prompt e o valor do repertório criativo.

A popularização da inteligência artificial transformou a produção visual e o desenvolvimento de software. Em conversa com Bruno Gimenes, Renato explica por que o repertório cultural e o foco em soluções de negócio superam comandos prontos de prompt.

Renato participou de conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast para discutir o impacto da inteligência artificial na criação, no mercado de design e nas operações comerciais. O debate avaliou desde a proliferação de pequenas automações até a aplicação prática de peças geradas por IA no varejo físico.

No vídeo acima, a discussão detalha como a evolução técnica afeta agências, franqueados e profissionais criativos. A análise confronta a expectativa em torno de ferramentas no-code com a realidade de infraestrutura exigida para sustentar operações reais.

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A ilusão do vibe coding e os riscos de infraestrutura

A ascensão de ferramentas que prometem transformar qualquer usuário em programador repete dinâmicas observadas em outros ciclos tecnológicos. Renato pontua que construir interfaces aparentes difere de sustentar sistemas em escala: "Ele começa a vender um negócio que fica bonito no cloud code ali, porque o cloud code faz coisas lindas, maravilhosas, você vai ver, não tá funcionando por baixo dos panos".

O mesmo movimento atinge criadores de chatbots e integrações baseadas em IA para canais de mensageria. Pequenos desenvolvedores que montaram soluções próprias enfrentam a concorrência direta dos donos das plataformas, além de custos operacionais mais altos quando não possuem parcerias oficiais. O cenário assemelha-se a bolhas anteriores do mercado digital, nas quais poucos modelos se mostraram sustentáveis a longo prazo.

Por que repertório importa mais que curso de prompt na IA

O uso da inteligência artificial no varejo e ponto de venda

No varejo físico, o uso de imagens geradas por modelos de IA já se consolidou em materiais de ponto de venda, como folhetos e cartazes promocionais de redes de farmácias. Embora o resultado visual receba críticas de profissionais técnicos pelo acabamento das fontes e texturas, Renato observa que o critério principal do comércio é a eficiência na entrega da mensagem e a geração de vendas imediatas.

A descentralização da comunicação em redes de franquias também impulsiona esse uso. Em modelos como o da Arcos Dourados, que opera franquias do McDonald's, existe um fundo de propaganda correspondente a 4,3% do faturamento, segundo a Times Brasil, voltado a garantir padronização nacional. Na ausência de estruturas centralizadas ou orçamentos robustos, pequenos comércios e franqueados recorrem à IA para suprir demandas locais de curto prazo.

O designer como solucionador de problemas de negócio

Ao analisar a resistência de parte do mercado às novas ferramentas, Renato traça um paralelo com a transição do trabalho manual em nanquim e fotolito para softwares como Photoshop e Illustrator, vivida por ele em 1998 ao assumir a direção de criação de uma agência. A tecnologia alterou o meio de execução, mas não a função central da disciplina.

"Ele cria soluções para negócio. A gente, é isso que a gente tá falando, certo?", destaca Renato ao diferenciar produção artística de design aplicado. O papel do profissional de criação diante da automação consiste em utilizar a tecnologia para resolver gargalos comerciais com mais agilidade: "Como é que a gente usa IA como ferramenta, como um novo Photoshop, um novo Illustrator, uma nova ferramenta que a gente usa, a gente vai usar para fazer as coisas".

Por que repertório cultural supera cursos de prompt

Questionado sobre o valor dos cursos focados apenas em elaboração de prompts, Renato afirma que instruções operacionais padronizadas tornaram-se obsoletas com a evolução dos modelos de linguagem. À medida que as ferramentas interpretam melhor o contexto, a qualidade do resultado final depende diretamente do repertório teórico e cultural de quem opera a máquina.

"O curso de prompt, ele vai te ensinar padrões básicos que todo mundo vai ter igual", argumenta Renato. Para ele, o domínio de referências históricas como a escola Bauhaus, noções de teoria da comunicação, vivências culturais e fundamentos como os quatro Ps de marketing fornecem o direcionamento necessário para a IA. Sem essa base, o modelo entrega resultados genéricos: "Para estar no controle, você tem que ter conhecimento, você tem que ter repertório. Quando você usa IA hoje, você tem que ser um diretor criativo".

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