Economia da atenção exige vivência cultural, diz Daniel Rosa
Rosa analisa a disputa pela atenção na era da IA e defende a vivência da cultura urbana para entender o comportamento real.
Em debate sobre a economia da atenção, Daniel Rosa avalia as transformações trazidas pela inteligência artificial e a escassez do ócio criativo. O debate aborda a necessidade de desconexão e por que o marketing precisa vivenciar a dinâmica cultural das ruas.
Daniel Rosa, sócio-fundador da Sales Rush, analisou, em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, as transformações provocadas pela transição da era da informação para a economia da atenção. O episódio completo também explora aspectos de psicologia aplicados a vendas B2B, processos comerciais e estruturação de times.
No vídeo acima, Rosa traça uma linha histórica sobre os saltos evolutivos da humanidade — do nomadismo à agricultura, passando pela Revolução Industrial até chegar à revolução da informação nos anos 2000. Se antes a vantagem competitiva dependia do acesso a dados escassos, hoje a informação é abundante e acessível a qualquer pesquisa na internet.
Da informação à atenção e o papel da IA
Com a facilidade de acesso aos dados, o recurso que se tornou escasso é o tempo. Para Rosa, o cenário atual impõe uma disputa feroz pelo foco das pessoas, ao mesmo tempo em que o avanço tecnológico suprime momentos de pausa e reflexão. "Mas a economia hoje é da atenção, porque pô, não dá tempo para nada. Então a gente tá nessa evolução, tem a IA agora atrapalhando o processo", afirma Rosa, explicando que a tecnologia ocupa os intervalos que antes permitiam o ócio criativo.
Ao analisar os movimentos tecnológicos, Rosa destaca os estudos sobre a mente humana e o comportamento pós-inteligência artificial, observando que ferramentas generativas atuam como uma ampliação das capacidades cognitivas. "A IA é a expansão do cérebro", resume Rosa ao citar uma reflexão de Walter Longo sobre o limite físico do crânio humano e a necessidade de projetar a capacidade intelectual para sistemas externos.
O resgate da desconexão e o retorno ao físico
Diante da sobrecarga digital, Rosa aponta para um movimento de valorização do tempo desconectado e do resgate de práticas analógicas. Para ele, sair sem telefone ou buscar momentos ao ar livre tornou-se essencial para a saúde mental. Bruno observa que o comportamento contemporâneo começa a manifestar esse resgate, citando que o The Post lançou uma revista física de 120 páginas, contrastando com sua presença exclusivamente digital nas redes sociais.
Cultura de rua versus ar-condicionado na Faria Lima
Ao abordar a criação publicitária e as estratégias de comunicação, Rosa defende que o profissional de marketing precisa estar imerso no cotidiano das cidades. Na visão dele, entender o público brasileiro exige contato direto com os movimentos culturais que acontecem fora das bolhas corporativas.
"O olhar do publicitário, do criativo, do marketing, no final a gente vende para pessoas. Não adianta ficar lá no ar-condicionado, no geladinho, de carrinho na Faria Lima, tal, do blindado para tal e achar, ah, eu entendo, eu fiz Harvard", pontua Rosa. Ele cita manifestações do centro de São Paulo, como o Bom Retiro, a cena de hip hop, a pichação e a ocupação esportiva com basquete no Vale do Anhangabaú, ressaltando que a cultura se transforma de forma dinâmica e não pode ser compreendida apenas por relatórios ou formação acadêmica isolada da rua.