Flamengo propõe fim do gramado sintético em documento à CBF
Relatório de 70 páginas sugere padronização para pisos naturais ou híbridos, cota de 15% em nova liga e pausa de inverno.
O Flamengo enviou um documento de 70 páginas à Confederação Brasileira de Futebol com propostas para reformular o futebol nacional. Entre os pontos centrais estão o veto ao gramado sintético nas Séries A e B e ajustes no calendário.
O Flamengo enviou à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) um documento de 70 páginas com propostas de mudanças estruturais para o futebol brasileiro, tendo como referência ligas internacionais bem-sucedidas. O projeto visa a criação de uma nova liga nacional e estabelece condições do clube rubro-negro para integrar o bloco, incluindo a exigência de 15% do faturamento da receita, uma cláusula de saída caso as demandas não sejam atendidas e a extinção do gramado sintético nas Séries A e B.
No vídeo acima, Bernardo Ramos analisa as diretrizes do documento rubro-negro e discute o impacto técnico da utilização do piso artificial nos estádios do país. Na avaliação de Bernardo, o veto ao gramado sintético é uma medida acertada, visto que as principais ligas do futebol mundial utilizam apenas gramados naturais.
Padronização e críticas ao piso de plástico
De acordo com Bernardo, a justificativa climática ou a realização de eventos não deve servir de pretexto para a adoção de superfícies sintéticas. O jornalista aponta que clubes como Palmeiras, Atlético Mineiro, Botafogo, Chapecoense e Atlético Paranaense utilizam o material, ressaltando que, no caso do Atlético Paranaense, o piso apresenta qualidade baixa. A alternativa defendida é a padronização para gramados naturais ou híbridos, citando como exemplo positivo o piso da Neo Química Arena, do Corinthians.
Inclusive, Bernardo destaca o investimento contínuo necessário para a preservação de campos naturais, mencionando os custos assumidos por Flamengo e Fluminense na manutenção do Maracanã. Para o comentarista, a utilização de superfícies artificiais prejudica a dinâmica e o nível técnico das partidas, exigindo intervenção regulatória.
Calendário e histórico de ligas no país
Além da pauta dos gramados e da divisão financeira, o documento apresentado pelo presidente BAP propõe a criação de horários específicos para as partidas e uma pausa de inverno de 21 dias (três semanas) para recuperação e preparação das equipes. Bernardo avalia que tais iniciativas deveriam partir da própria CBF na organização do esporte, em vez de dependerem de movimentações isoladas dos clubes.
Evidentemente, o debate sobre ligas independentes no Brasil carrega antecedentes complexos. Bernardo recorda a tentativa de 1987 — cinco anos antes do surgimento da Premier League —, frustrada por desdobramentos políticos envolvendo Eurico Miranda, além da dissolução do Clube dos 13 entre 2010 e 2011. Na visão do analista, posturas propositivas como a do Flamengo são mais construtivas para a evolução institucional do futebol do que a postura de dirigentes que se limitam a criticar sem apresentar soluções, citando a presidente Leila Pereira.