BAP impõe condições para o Flamengo entrar em nova liga
Dirigente exige ao menos 15% das receitas e contesta perdas financeiras na divisão dos direitos de transmissão.
O presidente BAP afirmou em reunião do conselho deliberativo que o Flamengo não abrirá mão de receitas para integrar uma liga de futebol no Brasil. O clube pleiteia no mínimo 15% do bolo total e contesta perdas decorrentes da divisão de cotas na Libra.
O Flamengo não fará concessões financeiras para integrar uma nova liga de futebol no Brasil. Em reunião realizada com o conselho deliberativo do clube, o presidente BAP apresentou uma projeção apontando que o Rubro-Negro exige receber pelo menos 15% do valor global de receitas para manter seus ganhos nos patamares vigentes de direitos de transmissão.
No vídeo acima, Bernardo Ramos analisa a postura da diretoria rubro-negra e avalia que o dirigente agiu de forma acertada ao proteger os interesses financeiros da instituição, cumprindo sua responsabilidade de prestar contas ao conselho deliberativo sem aceitar termos lesivos.
A estrutura de divisão da Libra e o impasse contratual
O modelo estabelecido na Libra adota o formato 40-30-30: 40% dos valores distribuídos de forma igualitária entre os participantes, 30% com base na classificação esportiva e 30% atrelados à audiência. Na fatia igualitária de 40%, o Flamengo recebe a mesma quantia que agremiações como a Chapecoense. Já na parcela de 30% por desempenho, por ser o atual campeão do Campeonato Brasileiro, o clube garante a maior cota em relação a adversários como Palmeiras, Vasco, Grêmio, Internacional e Corinthians.
O ponto central de divergência residia nos 30% de audiência. O ex-presidente Landim havia assinado a estrutura geral da divisão 40-30-30, mas o presidente BAP não assinou o detalhamento de como essa fração seria fatiada, o que viabilizou uma repactuação contratual para ampliar os ganhos do Flamengo.
O impacto da entrada do Remo e a disputa jurídica
Com a presença do Remo na Série A do Campeonato Brasileiro, a divisão das receitas da Libra passou de 9 para 10 clubes. Essa alteração reduziu em R$ 100 milhões o montante partilhado pelos clubes do bloco, gerando uma perda individual de R$ 10 milhões para o Flamengo.
Diante das cláusulas que previam ajustes caso houvesse um novo integrante na elite nacional, o Flamengo pleiteia essa quantia em negociações que envolvem também a Globo. Na avaliação de Bernardo, o caso tem grandes chances de parar na Justiça Desportiva ou comum para resguardar o faturamento rubro-negro.
Receita recorde e a independência das ligas
No último exercício financeiro, o balanço do Flamengo registrou um faturamento entre R$ 2 bilhões e 70 milhões e R$ 2 bilhões e 80 milhões. Três fatores extraordinários impulsionaram esse resultado histórico: a participação no Mundial de Clubes da Federação Internacional de Futebol (FIFA), que rendeu mais de R$ 150 milhões, a venda de Wesley para a Roma por 25 milhões de euros e a negociação de Gerson com o Zenit também por 25 milhões de euros — atleta que posteriormente se transferiu ao Cruzeiro por 27 milhões de euros fixos mais 3 milhões de euros em variáveis aos 28 anos de idade.
Para manter o padrão de arrecadação sem depender exclusivamente de transferências de atletas, o clube precisa assegurar novas fontes estáveis. Sobre o cenário nacional, Bernardo manifesta posição contrária à participação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na gestão do torneio, defendendo uma liga totalmente independente gerida em consenso pelos clubes, resgatando o precedente histórico da Copa União de 1987, criada cinco anos antes da Premier League britânica de 1992.