O que é o lactato e por que ele não causa a fadiga muscular
Entenda por que o corpo produz lactato e não ácido lático e como ele atua como fonte de energia durante o treino intenso.
Durante anos, o lactato e o chamado ácido lático levaram a culpa pelo cansaço e pelas dores musculares no esporte. A ciência mostra que o lactato é, na verdade, uma valiosa fonte de energia para sustentar o esforço.
No universo dos esportes de endurance, praticamente todo praticante já ouviu que o cansaço extremo, a queimação nas pernas ou aquela dor muscular intensa seriam consequências diretas do acúmulo de "ácido lático". Essa associação transformou o composto em um dos maiores vilões do treinamento de alta intensidade, mas a fisiologia moderna esclarece que essa visão está incorreta.
O que realmente acontece no organismo
Em primeiro lugar, o corpo humano não produz ácido lático durante a atividade física. O que o metabolismo gera, principalmente sob esforços de intensidades mais altas por meio da glicólise — a via metabólica responsável por quebrar a glicose e fornecer energia —, é o lactato, acompanhado por íons de hidrogênio ($H^+$) e outros metabólitos.
A sensação de queimação e a fadiga muscular que ocorrem nos treinos fortes decorrem do aumento da acidez no meio celular provocada pelo acúmulo desses íons de hidrogênio ($H^+$), e não da presença do lactato em si. O lactato apenas é gerado simultaneamente a esse processo bioquímico.
De vilão a substrato energético
Longe de ser um mero resíduo tóxico que trava os músculos, o lactato desempenha um papel essencial na contração muscular. Ele atua como um substrato energético, participando de reações químicas que geram combustível e permitem ao atleta sustentar intensidades elevadas por mais tempo durante provas e treinos de endurance.
Outro mito comum desmistificado pela fisiologia é a ideia de que a dor muscular tardia — aquela que surge um ou dois dias após uma sessão intensa de exercícios — decorre de ácido lático retido na musculatura. O lactato é metabolizado rapidamente pelo organismo durante e logo após a atividade. Assim, em vez de vilão causador de dores, o lactato assume o papel de aliado direto da performance esportiva.