Gel de lactato: vilão ou combustível para o endurance?
Bruna Mahn recebe Marília Marques e Victor Valente para debater a fisiologia do lactato e seu uso na nutrição esportiva.
Entenda o papel do lactato no metabolismo energético e veja como o gel de lactato vem sendo debatido no alto rendimento. Confira uma visão geral sobre fisiologia, evidências científicas e zonas de treino.
O lactato deixou de ser apontado como o vilão da fadiga muscular para se consolidar como uma peça-chave no fornecimento de energia durante exercícios de endurance. No episódio do Stemma Performance, a apresentadora Bruna Mahn conversou com a nutricionista Marília Marques e o treinador de triatlo Victor Valente para destrinchar a fisiologia dessa molécula, avaliar o recente burburinho em torno do gel de lactato e explicar a aplicação prática dos limiares metabólicos no treinamento.
O que é o lactato e a desmistificação do ácido lático
A conversa começa desfazendo um dos maiores mitos do esporte: a ideia de que o corpo produz ácido lático responsável por dores tardias e queimação muscular. Victor Valente explica que o organismo gera lactato como subproduto da glicólise e que a acidose metabólica está associada ao acúmulo de íons de hidrogênio (H+), e não ao lactato em si. Longe de ser um mero resíduo tóxico, o lactato atua como um valioso combustível celular, sendo reciclado e aproveitado pelas mitocôndrias para gerar energia e sustentar o esforço por mais tempo.
Gel de lactato no esporte de alto rendimento e evidências científicas
Com a repercussão do uso de géis de lactato por equipes de elite no Tour de France, a bancada analisa as bases teóricas e as limitações práticas dessa suplementação exógena. Marília Marques detalha a hipótese de utilizar uma terceira via de absorção intestinal que não concorra com os transportadores de glicose e frutose, enquanto Victor pondera que a literatura científica ainda carece de dados conclusivos e consistentes sobre ganhos reais de performance. Os especialistas alertam que, antes de investir em novidades caras ou arriscar desconfortos gastrointestinais, atletas amadores precisam consolidar pilares básicos, como periodização, sono e aporte adequado de carboidratos.
Limiares de lactato, zonas de treino e monitoramento
No bloco final, os convidados abordam a identificação dos limiares metabólicos (L1 e L2) e o uso do lactato como marcador de intensidade no endurance. O treinador destaca que o objetivo do treinamento bem estruturado é aumentar a eficiência metabólica e a durabilidade do atleta, melhorando a capacidade de utilizar o lactato em intensidades mais altas. Para amadores e iniciantes, o painel reforça que ferramentas acessíveis, como a percepção subjetiva de esforço e a frequência cardíaca, continuam sendo referências seguras para dosar cargas e evitar treinos excessivos na chamada zona cinza.